Sindicatos aguardam projeto na Aleac e criticam governo por recuo em negociação sobre auxílios


Representantes sindicais afirmam que seguem aguardando o envio do projeto de lei que trata dos auxílios alimentação e saúde para servidores estaduais à Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) e criticam a condução das negociações por parte do governo.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), Rosana Nascimento, disse que a expectativa era de uma proposta que atendesse todas as categorias de forma igualitária, incluindo servidores ativos e aposentados.

“Nós queremos uma proposta que possa contemplar todos de forma justa, igualitária, de efetivos com aposentados, mas isso não foi possível”, afirmou.

Segundo ela, o governo apresentou inicialmente valores de R$ 500 para auxílio-saúde de aposentados e R$ 700 para auxílio-alimentação. A proposta foi analisada pelas entidades, que apresentaram contrapontos.

“Claro que se está na mesa de negociação, os sindicatos recebem, vão avaliar a proposta e podem ter contraproposta”, disse.

De acordo com Rosana, após a contraproposta das categorias, o governo teria recuado. “O governo ficou ofendido com a contraproposta dos sindicatos e disse que estava retirando a proposta”, declarou.

Recuo e indefinição do projeto

A sindicalista relatou que, em reunião realizada na segunda-feira, 30, os sindicatos decidiram aceitar os termos iniciais apresentados pelo Executivo, mesmo sem consenso total. “Ontem teve a reunião com quase todos os sindicatos e aí voltamos a aceitar a primeira proposta”, afirmou.

Apesar disso, segundo ela, o governo indicou que não encaminharia o projeto à Aleac naquele momento.

“O governo disse que não traria essa proposta aqui para casa porque os deputados de oposição iam construir emendas”, disse.

Até agora, segundo Rosana, não há clareza sobre qual texto será enviado. “Agora nós estamos aguardando que o governo encaminhe um projeto de lei, nós não sabemos qual é esse projeto de lei e o que tem nele”, afirmou.

Pontos de consenso e divergências

De acordo com a presidente do Sinteac, alguns pontos já estavam alinhados entre governo e sindicatos, como o auxílio-saúde para aposentados e a situação de servidores não concursados.

“Tem a questão dos servidores não concursados, tem o auxílio saúde dos aposentados, esses dois já são consenso”, disse.

Por outro lado, o auxílio-alimentação seguia como principal ponto de divergência, mesmo após a disposição das categorias em aceitar a proposta inicial.

“O que não tinha consenso era o auxílio alimentação, mesmo assim os sindicatos disseram que, na imposição do governo e também dos servidores que querem receber qualquer coisa, nós estaríamos aceitando a proposta do governo”, explicou.

Mobilização e outras demandas

Rosana afirmou que os servidores permanecem mobilizados à espera do envio do projeto para análise. “Hoje estamos aqui aguardando a chegada deste projeto para avaliarmos que proposta que ele está encaminhando”, disse.

Ela destacou que, no momento, não há decisão sobre paralisação. “Greve a gente não está cogitando ainda”, afirmou.

A sindicalista também chamou atenção para outras demandas da categoria, especialmente na área da educação, como reajustes salariais. “Nós temos a nossa pauta específica, que é o reajuste da crise do magistério ou a volta da nossa tabela”, disse.

Segundo ela, há perdas acumuladas que impactam diretamente os servidores. “Nós temos prejuízo de R$ 500 a R$ 2.600 por mês”, afirmou.

Rosana comparou ainda a situação com outras categorias que tiveram avanços recentes. “Revisou a situação dos funcionários do Detran, que é justiça, aceitamos, mas também tem que revisar a situação da educação, que a injustiça é maior”, declarou.

Ela concluiu apontando o impacto financeiro para os trabalhadores. “Estamos com nossos vencimentos achatados com essas perdas, que têm prejudicado imensamente a nossa vida financeira”, concluiu.



VER NA FONTE