São Paulo – O Ministério Público Federal determinou a abertura de inquérito na Polícia Federal para investigar a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) por ter realizado uma encenação de “blackface” durante discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo.

(Foto: Reprodução/Alesp)
O episódio ocorreu no dia 18 de março, quando a parlamentar utilizou maquiagem durante a fala para sustentar argumentos sobre identidade de gênero, o que gerou forte repercussão e críticas dentro e fora do Legislativo.
A investigação foi solicitada após representação da bancada feminista do PSOL e de parlamentares do partido. O MPF informou que o caso ainda será analisado pela Procuradoria Regional da República da 3ª Região para verificar a existência de foro por prerrogativa de função.
Paralelamente, o Ministério Público de São Paulo também instaurou um inquérito civil para apurar possíveis práticas de racismo, transfobia, misoginia e violação de direitos humanos. Segundo o órgão, o “blackface” é historicamente associado a práticas racistas e discriminatórias.
Além disso, deputados estaduais protocolaram representação no Conselho de Ética da Alesp pedindo a apuração por possível quebra de decoro parlamentar, com sanções que podem chegar à perda do mandato.
A deputada também foi alvo de boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
Em manifestação nas redes sociais, Fabiana Bolsonaro negou ter praticado “blackface” e afirmou que sua intenção foi levantar um debate. A defesa informou que aguarda notificação oficial sobre o caso.
Já a Alesp destacou que o Conselho de Ética é o órgão responsável por analisar eventuais excessos no exercício do mandato parlamentar, respeitando as garantias constitucionais de liberdade de expressão.