Deputados pressionam governo por envio de projeto dos auxílios após impasse com sindicatos no Acre


A falta de acordo entre o governo do Acre e os sindicatos sobre os auxílios dos servidores públicos repercutiu na Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) nesta terça-feira, 31. Deputados cobraram o envio imediato do projeto de lei, que acabou sendo adiado para esta quarta-feira, 1º de abril, após mais uma rodada de negociações sem consenso.

Como antecipado pelo secretário de Governo, Luiz Calixto, a proposta não foi encaminhada ao Legislativo devido ao impasse nos valores dos benefícios. A expectativa agora é de envio apenas se houver acordo entre as partes.

Durante a sessão, parlamentares criticaram a condução das tratativas e a demora na definição. O deputado Edvaldo Magalhães afirmou que os servidores chegaram a apresentar uma contraproposta, mas não tiveram retorno efetivo do Executivo.

“As categorias conversaram, questionaram profundamente a proposta e fizeram um gesto que não é comum. No meio da diversidade de salários e carreiras, apresentaram outra proposta”, declarou.

Segundo ele, a resposta do governo não acompanhou o avanço das negociações. “Qual foi a resposta, pelo menos até ontem, do governo com relação à contraproposta? Foi pressão e arrogância através de declarações públicas”, afirmou, classificando a postura como “autoritarismo”.

O parlamentar também defendeu que o diálogo é essencial para um acordo e cobrou ação da Casa. “A maior contribuição que nós podemos dar para esses servidores é exigir do governo que mande uma proposta para ser discutida hoje nessa Casa”, disse.

Cobrança por votação e acordo

O deputado Emerson Jarude também criticou a demora na análise de propostas voltadas aos servidores e cobrou celeridade.

“É impressionante como quando se cria auxílio para outros poderes, rapidinho é aprovado. Quando é para o servidor aqui, é essa demora”, declarou.

Jarude afirmou que há expectativa de votação assim que houver consenso. “Estamos aqui reunidos para isso. Os sindicatos estão presentes, a equipe de governo também”, disse.

Ele destacou ainda que o resultado das negociações deve orientar o posicionamento no plenário. “Vão poder contar com o meu voto, seja favorável ou contrário, a depender da negociação”, afirmou.

Negociação sob pressão de prazo

O impasse ocorre em um momento decisivo, já que há limite legal para aprovação de reajustes em ano eleitoral. Caso não haja definição, os servidores podem ficar sem atualização dos auxílios ao longo de 2026.

A proposta em discussão prevê aumento do auxílio-alimentação de R$ 420 para R$ 700, criação de auxílio-saúde de R$ 500 para aposentados, além da aplicação da Revisão Geral Anual (RGA) de 20,39%.

Enquanto o governo defende os valores apresentados, os sindicatos pressionam por números maiores. Nos últimos dias, inclusive, servidores realizaram protestos em frente à Aleac cobrando uma solução.

Sem acordo até o fim desta terça-feira, as negociações seguem e a expectativa é de que uma proposta final seja fechada e enviada ao Legislativo nesta quarta.



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