Reforma tributária: o que muda e por que 2026 é o ano-chave para as empresas


A reforma tributária já começou a sair do papel em 2026, mas ainda gera dúvidas entre empresários e deve impactar diretamente a rotina das empresas a partir do próximo ano. Segundo os especialistas, o período atual é estratégico para adaptação diante das novas mudanças.

Em entrevista à FolhaBV, o contabilista, advogado e administrador Freiman Canonici afirma que quem não se preparar pode enfrentar prejuízos. “A reforma foi aprovada, mas na prática ainda existem muitas dúvidas sobre como tudo vai funcionar no dia a dia. E os empresários, de modo geral, não estão totalmente preparados, e isso pode gerar prejuízos se não procurarem se informar”, destaca.

Ano de teste e adaptação

As mudanças mais significativas estão previstas para 2027, mas as deste ano já traz impactos. Em 2026, as empresas passam por uma fase de testes, com a aplicação de uma alíquota simbólica de 1% sobre as operações, sendo 0,9% da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e 0,1% do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Na prática, os dados representam um aumento inicial na carga tributária e, principalmente, a necessidade de adaptação dos sistemas internos. “As empresas precisam ajustar seus sistemas, como os ERPs, e rever a forma como emitem notas fiscais. É o momento de se estruturar”, explica.

Freiman Canonici em entrevista à FolhaBV. (Foto: Nilzete Franco)

A partir de 2027, começa a cobrança efetiva do novo modelo tributário, baseado no Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que unifica tributos federais, estaduais e municipais. A estimativa é de uma carga em torno de 28%. Para Freiman, isso pode representar aumento de custos em diversos setores. “A gente acredita que essa carga será maior do que a realidade atual. E isso tende a impactar diretamente os preços ao consumidor final”, afirma.

Setores como agronegócio e prestação de serviços devem sentir os efeitos de forma mais intensa, especialmente devido ao fim de benefícios fiscais e mudanças na tributação de insumos.

Riscos para quem não se preparar

O principal alerta é para empresas que deixarem a adaptação para depois. “Quem não se organizar agora pode enfrentar problemas como multas, juros e dificuldades operacionais. A emissão de notas fiscais, por exemplo, vai exigir muito mais detalhamento”, pontua.

Outro ponto de atenção é a automatização do recolhimento de impostos. Com o chamado split payment, os tributos poderão ser descontados automaticamente no momento da transação financeira. “Parte do valor pago já vai direto para o governo. Isso muda completamente o fluxo de caixa das empresas, principalmente para quem estava acostumado a pagar impostos depois”, explica.

Pequenas empresas também serão impactadas

Apesar da manutenção do Simples Nacional, pequenas e médias empresas precisarão se adaptar. Uma das mudanças envolve o modelo de créditos tributários, que pode influenciar diretamente a competitividade. Empresas que não se adequarem podem perder espaço no mercado, especialmente ao negociar com organizações maiores.

Mais controle e transparência

A reforma também traz pontos positivos, como maior transparência e simplificação do sistema tributário. O novo modelo substitui cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois: CBS e IBS.

Além disso, produtos da cesta básica devem ter alíquota zero, o que pode beneficiar o consumidor final. “A reforma também garante que itens essenciais, como os da cesta básica, tenham isenção, o que pode ajudar no poder de compra da população”, destaca.

Para o especialista, a principal mudança será na postura das empresas. “A reforma obriga o empresário a ter mais controle e organização. Quem já faz isso vai sair na frente. Quem não faz, vai precisar se adaptar rapidamente”, conclui.

A orientação é que os empresas busquem apoio profissional para atravessar o período de transição com mais segurança para orientar sobre as novas regras, revisar processos e evitar erros que possam gerar prejuízos.

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