Motoristas fecham Terminal da Cohab como prenúncio da retomada da greve de ônibus em São Luís


Motoristas demitidos da antiga empresa 1001, atualmente Expresso Rei de França, bloquearam os acessos ao Terminal de Integração da Cohab, em São Luís, na manhã desta segunda-feira (30). O protesto comprometeu a entrada e saída de ônibus urbanos e semiurbanos, gerando acúmulo de passageiros e longas esperas na área externa do terminal.

Os trabalhadores afirmam que não receberam salários e verbas rescisórias e cobram a regularização dos pagamentos. Relatos dão conta de casos de meses de atraso, o que motivou a mobilização logo nas primeiras horas do dia. Parte dos manifestantes também denuncia dificuldades para acessar benefícios trabalhistas após o desligamento.

A manifestação ocorre em meio à paralisação temporária do transporte público anunciada pelo Consórcio Via SL, formado pelas empresas Expresso Rei de França e Expresso Grapiúna. As atividades foram suspensas na última quarta-feira (25), após decisão das empresas, que alegam inviabilidade financeira para manter a operação.

De acordo com o consórcio, a situação estaria ligada à falta de repasses integrais de subsídios por parte do poder público municipal, especialmente referentes ao último trimestre de 2025. As empresas sustentam que a ausência desses valores comprometeu o pagamento de salários e a continuidade dos serviços.

Com o bloqueio no terminal, passageiros enfrentaram dificuldades para se deslocar em diferentes pontos da cidade. Em alguns casos, usuários precisaram buscar alternativas como transporte por aplicativo, vans ou caminhadas até outras áreas com circulação de ônibus.

Impasse no sistema e risco de nova greve

O protesto desta segunda-feira amplia o cenário de instabilidade no sistema de transporte coletivo de São Luís. O Sindicato dos Rodoviários já indicou a possibilidade de retomada da greve caso não haja avanço nas negociações envolvendo salários atrasados e cumprimento de acordos trabalhistas.

Um prazo definido em mediação conduzida pela Promotoria do Consumidor termina nesta terça-feira (31). O acordo prevê a regularização de pendências com os trabalhadores, incluindo pagamento de salários e reajustes definidos anteriormente.

Segundo representantes da categoria, os atrasos não se limitam aos vencimentos mensais, mas também atingem benefícios como vale-alimentação e outras garantias previstas em convenções coletivas. A entidade aponta que o cenário se agravou nas últimas semanas com a suspensão das atividades por parte das empresas.

Do lado empresarial, a justificativa apresentada está relacionada ao desequilíbrio financeiro do sistema, com menção à insuficiência de recursos para cobrir custos operacionais. As empresas defendem a necessidade de recomposição dos repasses para viabilizar o funcionamento pleno da frota.

Até o momento, não houve atualização oficial por parte da Prefeitura de São Luís sobre os pagamentos mencionados pelas empresas ou sobre medidas para evitar a paralisação total do serviço. Enquanto isso, usuários e trabalhadores seguem impactados pela incerteza em torno do transporte público na capital.



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