Rumores de greve dos caminhoneiros azedam mercados na véspera do Copom

Rumores de uma articulação para a paralisação de caminhoneiros azedaram o mercado brasileio nos minutos finais do pregão desta terça-feira (17), reforçando o quadro de instablidade na vésperas da decisão dos juros pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central).

Sinais de uma possível mobilização começaram a circular no meio da tarde, e foram captados quase imediatamente pelos ativos domésticos.

O Ibovespa, que nas máximas passou dos 182 mil pontos – com alta ao redor de 1,6% -, começou a perder fôlego por volta de 16h. O índice conseguiu se manter no campo posito, encerrando o dia com leve alta de 0,3%, retomando os 180 mil pontos pela primeira vez desde a última semana.

A curva de juros deu sinais ainda mais claros do temor do mercado com uma eventual paralisação nas estradas. O abertura da curva ocorreu a despeito de duas intervenções no mercado nesta terça, com a recompra e venda de papéis pelo Tesouro.

Depois de uma primeira etapa do pregão relativamente tranquila, os juros futuros negociados na B3 reduziam o ritmo de queda no início da tarde seguindo de perto a alta nas cotações do petróleo, mas começaram a subir em bloco no meio da tarde.

Alguns vencimentos chegaram a operar com alta de cerca de 20 pontos-base ante os ajustes conforme a notícia circulava, neutralizando o alívio trazido pelo segundo dia de intervenção do Tesouro Nacional no mercado.

A incerteza trazida pela possibilidade de greve, que tem potencial de pressionar a inflação para cima e a atividade para baixo, também prevaleceu sobre o fechamento da curva dos Treasuries e o enfraquecimento do dólar global.

No fechamento, a taxa do contrato de DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2027 aumentou de 14,07% no ajuste de segunda para 14,135%. O DI para janeiro de 2029 subiu a 13,605%, vindo de 13,561% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 avançou de 13,747% no ajuste anterior para 13,755%.

Além do temor de paralisação, o mercado digeriu ao longo do dia as mudanças de expectativas para os juros pelo Copom, nesta quarta-feira (18).

Após semanas prevendo corte de 0,5 ponto na Selic, atualmente em 15%, as apostas passaram majoritariamente para redução de 0,25 ponto, com a volaltidade nos mercados em meio ao conflito no Oriente Médio.

Também nesta quarta, o Fed (Federal Reserve) anuncia a taxa referência nos EUA, atualmente em 3,5% e 3,75% ao ano.

Caminhoneiros alertam governo

Caminhoneiros de diferentes regiões do país voltaram a alertar o governo federal sobre a possibilidade de uma paralisação nacional nos próximos dias, segundo informações da repórter Julliana Lopes, da CNN Brasil.

A insatisfação tem como pano de fundo a escalada do preço do diesel e a avaliação de que as medidas anunciadas para conter o impacto do combustível não surtiram efeito.

Nesta segunda-feira (16), lideranças do setor deram sinal verde para a mobilização após assembleia no Porto de Santos (SP). A data ainda não foi definida, mas há integrantes que defendem o início do movimento já nesta semana.

A articulação envolve tanto motoristas autônomos quanto profissionais vinculados a empresas de transporte. Um comunicado oficial deve ser encaminhado ao Palácio do Planalto ainda nesta terça-feira (17).

Na última semana, o governo anunciou um pacote de medidas para aliviar o setor, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio. A União zerou PIS/Cofins sobre o diesel, criou uma subvenção para reduzir os preços nas bombas e anunciou mudanças na fiscalização dos valores.

Na sequência, porém, a Petrobras anunciou um reajuste no combustível, o que, segundo a categoria, esvaziou parte do efeito das medidas.

Caminhoneiros também afirmam que parte do benefício ficou retida na cadeia de distribuição e criticam a falta de fiscalização. Segundo eles, o modelo anunciado pelo governo ainda não se mostrou eficaz.

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