
A Ucrânia vai compartilhar dados coletados no campo de batalha da guerra contra a Rússia com países aliados para ajudar no treinamento de modelos de inteligência artificial voltados para aplicações militares. A iniciativa foi anunciada nesta quinta-feira, 12, pelo ministro da Transformação Digital do país, Mykhailo Fedorov, que afirmou que Kiev pretende aproveitar a experiência acumulada ao longo de quatro anos de conflito para acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias de defesa.
Segundo o ministro, o governo criou uma plataforma que permite o acesso controlado a grandes volumes de dados — incluindo imagens e vídeos capturados por drones durante missões de combate — sem expor informações consideradas sensíveis. O material poderá ser utilizado por parceiros estrangeiros para treinar softwares capazes de reconhecer equipamentos militares, identificar padrões no campo de batalha e orientar sistemas autônomos.
“Hoje, a Ucrânia possui um conjunto único de dados de campo de batalha que não tem paralelo em nenhum outro lugar do mundo”, escreveu Fedorov em uma mensagem publicada no Telegram. De acordo com ele, o banco de dados inclui milhões de imagens catalogadas obtidas durante dezenas de milhares de voos de drones realizados em operações militares.
A iniciativa surge em um momento em que forças armadas de diferentes países aceleram o desenvolvimento de tecnologias baseadas em inteligência artificial. Esses sistemas podem, por exemplo, permitir que drones identifiquem e atinjam alvos automaticamente ou analisem grandes volumes de dados coletados em operações militares.
Aliados de Kiev e empresas de tecnologia estrangeiras têm demonstrado interesse em acessar os dados ucranianos justamente por sua raridade. O material foi produzido no contexto do maior conflito armado na Europa desde 1945, reunindo registros reais do comportamento de tropas, veículos e equipamentos em combate.
Fedorov, aliado próximo do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a cooperação também pode trazer benefícios diretos para o país ao acelerar o desenvolvimento de ferramentas que poderão ser usadas pelas próprias forças ucranianas.
“Estamos prontos para trabalhar com parceiros em análises conjuntas, treinamento de modelos e no desenvolvimento de novas soluções tecnológicas”, afirmou.
Desde o início da invasão russa em grande escala, em 2022, a Ucrânia transformou o uso de drones e tecnologias digitais em um dos pilares de sua estratégia militar. O conflito também se tornou um laboratório para o desenvolvimento de sistemas autônomos, sensores avançados e ferramentas de análise de dados voltadas para operações de combate.
O governo ucraniano tenta agora ampliar essa vantagem tecnológica enquanto busca manter o apoio financeiro e militar de aliados ocidentais à medida que a guerra se aproxima do quinto ano.