Tarcísio inaugura a maior planta de biometano do Brasil em Paulínia (SP) e fala em “aposentar o diesel”. Cerca de mil ônibus podem ser beneficiados



Empreendimento é parceria da Edge e Orizon. Veículos pesados estão entre os alvos da indústria deste tipo de combustível. Estado diz que vai superar a marca de 800 mil m³/dia até dezembro de 2026

ADAMO BAZANI

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O governador Tarcísio de Freitas, disse que São Paulo tem potencial para ser o primeiro estado brasileiro a aposentar o óleo diesel para a mobilidade urbana.

O discurso foi feito durante inauguração do que classificou como a maior planta de biometano do Brasil, neste sábado, 07 de março de 2026, em Paulínia, no interior paulista.

Para que isso seja realidade, segundo O governador, são necessários incentivos a alternativas energéticas como o combustível obtido na decomposição de resíduos.

“A mobilidade urbana, olha o potencial que nós temos. São Paulo pode ser o primeiro estado da federação a aposentar o diesel. E isso tem um valor enorme, um impacto enorme. Sonho? Não. Possibilidade que vem da ousadia. É possível a gente substituir o diesel? Claro que é. Criando os incentivos corretos, a gente vai acelerar esse fato”

A planta da OneBio, instalada em um Ecoparque que substitui um antigo aterro sanitário tem capacidade nominal de 225 mil m³/dia, o que representa um terço da capacidade instalada em território paulista e o equivalente ao consumo de mais de 1.000 ônibus urbanos, segundo o Governo, por meio de nota ao Diário do Transporte. O volume de produção inicial é de 50% da capacidade e deve atingir a operação plena ao longo de 2026. O empreendimento é resultado de uma parceria entre a Edge, controladora do investimento com 51% da participação, e da Orizon Valorização de Resíduos, com 49%.

A capital paulista, para cumprir as metas de redução de poluição, colocou o biometano como uma das alternativas ao avanço abaixo do esperado da frota de ônibus elétricos principalmente por falta de infraestrutura da rede de distribuição da ENEL. Há estimativa de até 2028 da inclusão de ao menos 200 coletivos com este combustível. A Sambaíba, viação que opera na zona Norte, desenvolve um projeto de teste com ônibus que eram a diesel, quando saíram de fábrica, e foram convertidos em biometano/GNV.

Segundo o governo paulista, o estado se prepara para superar a marca de 800 mil m³/dia até dezembro de 2026. Ainda de acordo com a gestão Tarcísio, estudo contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), com apoio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística concluiu que o potencial de produção de biometano no estado é de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), podendo gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, impulsionando uma nova cadeia industrial de equipamentos e serviços.

Ainda de acordo com o levantamento, a substituição parcial de combustíveis no transporte tem potencial de redução de até 16% nas emissões de carbono em comparação ao óleo diesel.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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