
Em 2025, foram registrados 6.054 boletins de ocorrência de roubo e furto de veículos utilitários ou de carga leve, no Estado de São Paulo. Esse número é 4,9% menor do que os 6.369 eventos de 2024, mas, ainda assim, é considerado muito alto. Os furtos ficaram estáveis (-0,2%), enquanto os roubos recuaram (-21,5%). Os dados estão no Boletim Tracker Fecap que apresenta análise inédita sobre este segmento logístico.
| Ano | Furto (art. 155) | Roubo (art. 157) | Total Geral |
| 2024 | 4.954 | 1.415 | 6.369 |
| 2025 | 4.943 | 1.111 | 6.054 |
“A explosão do e-commerce, com faturamento que quadruplicou em menos de uma década, demandou uma reconfiguração completa da logística urbana, com o crescimento massivo e rápido de vans, furgões, veículos urbanos de Carga (VUCs) e utilitários em circulação. Esses veículos se tornaram o ativo crítico e a espinha dorsal do abastecimento das cidades. Por isso é tão importante estudarmos o comportamento dos criminosos nesse segmento, oferecermos ferramentas de proteção ao mercado e insights precisos para a criação de políticas de segurança pública adaptadas aos desafios logísticos do século XXI”, explica o gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, Vitor Corrêa.
Cidades com maior incidência de roubos e furtos
São Paulo registrou uma queda de 5,75% no total de ocorrências, com reduções tanto em roubos quanto em furtos. Por outro lado, houve aumentos significativos nas cidades de Americana (53,9%), Sorocaba (31,5%), Ribeirão Preto (20,9%) e Campinas (20,5%). “As variações podem estar associadas a mudanças na estrutura da frota circulante, na atividade econômica local ou em fatores institucionais como policiamento, fiscalização, sistema judicial, regulação do desmanche, integração de bancos de dados e probabilidade de punição”, afirma o pesquisador da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) responsável pelo estudo, Erivaldo Vieira.
Na Região Metropolitana, Guarulhos cresceu 9,4%, enquanto Santo André apresentou retração expressiva de −30,1%. “É importante destacar ainda que Sorocaba e Americana entraram no TOP 10 em 2025, enquanto Itaquaquecetuba e Suzano saíram”, complementa o pesquisador.
| Cidade | Total 2024 | Total 2025 | Variação % |
| S. PAULO | 2.539 | 2.393 | -5,8% |
| GUARULHOS | 352 | 385 | +9,4% |
| CAMPINAS | 298 | 359 | +20,5% |
| SANTO ANDRÉ | 272 | 190 | -30,1% |
| RIBEIRÃO PRETO | 153 | 185 | +20,9% |
| S. BERNARDO DO CAMPO | 152 | 148 | -2,6% |
| SOROCABA | 89 | 117 | +31,5% |
| AMERICANA | 76 | 117 | +53,9% |
| OSASCO | 125 | 115 | -8,0% |
| MAUÁ | 108 | 107 | -0,9% |
Na capital, houve um aumento nos furtos (8,1%) e queda nos roubos (-30,0%). “A migração do roubo para o furto de veículos reflete uma estratégia adotada pelos criminosos para reduzir riscos e aumentar a probabilidade de sucesso. Do ponto de vista legal, é considerado um crime menos grave, além de ser mais difícil de ser comprovado. Eles aproveitam momentos de vulnerabilidade, como quando os veículos estão estacionados durante refeições, entregas, períodos de descanso ou em locais com baixa supervisão. Essa nova dinâmica exige uma evolução constante das tecnologias e estratégias de segurança. Diante desse cenário, o uso de tecnologias de rastreamento híbrido com dupla comunicação, como GPS e radiofrequência, torna-se fundamental”, explica Vitor Corrêa.
Os bairros que se destacaram negativamente foram:
- Ipiranga: 59 → 71 (+20,3%), com furto +13 e roubo −1.
- Vila Matilde: 43 → 52 (+20,9%), com furto +10 e roubo −1.
- São Mateus: 46 → 54 (+17,4%), com furto +7 e roubo +1.
- Penha: 38 → 44 (+15,8%), com furto +4 e roubo +2.
TOP 10 – 2025 Marcas/Modelos Selecionados Logística
| Modelo | Total 2024 | Total 2025 | Variação % |
| FIAT/STRADA VOLCANO 13CD | 333 | 231 | -30,6% |
| I/TOYOTA HILUX CDSRXA4FD | 268 | 230 | -14,2% |
| FIAT/STRADA FREEDOM 13CS | 210 | 217 | +3,3% |
| I/TOYOTA HILUX SWSRXA4FD | 129 | 121 | -6,2% |
| I/TOYOTA HILUX CDSRVA4FD | 124 | 113 | -8,9% |
| VW/NOVA SAVEIRO RB MBVS | 131 | 112 | -14,5% |
| FIAT/FIORINO IE | 133 | 109 | -18,0% |
| CHEVROLET/MONTANA LS | 99 | 104 | +5,1% |
| FIAT/STRADA ENDURANCE CS | 85 | 94 | +10,6% |
| FIAT/STRADA FREEDOM 13CD | 97 | 94 | -3,1% |
As maiores quedas concentram-se em versões topo de linha (Strada Volcano e Hilux CDSRXA4FD), enquanto os crescimentos ocorrem em versões intermediárias ou de entrada. “Observamos uma adaptação estratégica, com possível migração entre versões de mesma família em função de disponibilidade e difusão no mercado. O resultado aponta para uma manutenção da predominância de picapes compactas e médias no ranking”, alerta Erivaldo Vieira. Ele conclui: “Este monitoramento é vital para transformar o diagnóstico inicial em inteligência aplicada, capaz de proteger a infraestrutura logística e combater o crime patrimonial de forma eficaz”.
O gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker reforça que os criminosos estão em constante evolução, “por isso, é fundamental que as empresas de rastreamento também evoluam continuamente, investindo em tecnologia, inteligência e estratégia para garantir maior segurança, proteção patrimonial e tranquilidade aos clientes”.