
Ler Resumo
O Brasil, como é amplamente sabido, corre por fora — à exceção de alguns nichos — do jogo mundial da criação de tecnologia de ponta. Essa frente há muito é dominada por poucos países: Estados Unidos, Japão e alguns europeus, com a China entrando firme na competição. Mas somos um país relevante no imenso terreno das aplicações práticas da tecnologia, por fatores como o tamanho de nosso mercado e o gosto brasileiro por aderir a novidades. O tema é tratado em entrevista, nesta edição (pág. 11), de Alex Szapiro, braço direito na América Latina do bilionário japonês Masayoshi Son, fundador do SoftBank, um dos maiores fundos globais de investimento em negócios inovadores. O SoftBank já destinou 8 bilhões de dólares para 78 empresas na região, 55% delas no Brasil. No momento, a mira está em companhias que usem inteligência artificial para extrair valor de grandes bancos de dados.
O uso da IA vai se tornando onipresente, formando uma espécie de nova camada de infraestrutura da qual tudo passa a depender, como historicamente já ocorreu com a eletricidade e, mais recentemente, com a internet. Porém, nesse ambiente cada vez mais tecnológico, a interação humana mantém importância — aliás, é absolutamente necessária — e sua qualidade pode ser a diferença entre um negócio e outro. O artigo “Tecnologia é o meio, não o fim” (pág. 58) chama atenção para esse ponto.
O valor da presença humana fica evidente na reportagem “Vendas ao vivo” (pág. 22), capa da edição. Ali se vê como influenciadoras completam um modelo de negócio que tem se mostrado vencedor na batalha do comércio eletrônico: o do TikTok Shop, fenômeno mundial nascido na China há cinco anos e recém-chegado ao Brasil. Seu jeito fácil e objetivo encaixado em rede social, somado ao apelo das vendedoras, seduz número crescente de jovens, em especial, a comprar. Eis uma dobradinha matadora: tecnologia avançada com um toque humano caprichado.
Publicado em VEJA, fevereiro de 2026, edição VEJA Negócios nº 23