Polícia da Austrália investiga carta com ameaça à maior mesquita do país

A polícia australiana informou nesta quinta-feira (19) que iniciou uma investigação após o envio de uma carta ameaçadora à maior mesquita do país, o terceiro incidente desse tipo às vésperas do mês sagrado do Ramadã.

A carta enviada à Mesquita de Lakemba, na zona oeste de Sydney, na quarta-feira (18), continha um desenho de um porco e uma ameaça de extermínio da “raça muçulmana”, informou a imprensa local.

A polícia informou que recolheu a carta para análise forense e que continuará a patrulhar locais religiosos, incluindo a mesquita, bem como eventos comunitários.

A carta mais recente surge semanas depois de uma mensagem semelhante ter sido enviada à mesquita, retratando muçulmanos dentro de uma mesquita em chamas.

A polícia também prendeu e acusou um homem de 70 anos em conexão com uma terceira carta ameaçadora enviada aos funcionários da Mesquita de Lakemba em janeiro.

A Associação Muçulmana Libanesa, que administra a mesquita, informou à ABC (Australian Broadcasting Corp) que enviou uma carta ao governo solicitando mais verbas para a contratação de seguranças adicionais e a instalação de câmeras de vigilância.

Espera-se que cerca de 5.000 pessoas frequentem a mesquita todas as noites durante o Ramadã. Mais de 60% dos moradores do subúrbio de Lakemba se identificam como muçulmanos, de acordo com o Escritório Australiano de Estatísticas.

O primeiro-ministro Anthony Albanese condenou a recente onda de ameaças.

“É ultrajante que pessoas que simplesmente estão celebrando sua fé, especialmente durante o mês sagrado do Ramadã para os muçulmanos, sejam submetidas a esse tipo de intimidação”, disse ele à rádio ABC.

“Já disse repetidamente que precisamos baixar o tom do discurso político neste país, e certamente precisamos fazer isso.”

O sentimento anti-muçulmano tem crescido na Austrália desde a guerra em Gaza, no final de 2023, de acordo com um relatório recente encomendado pelo governo.

O Registro de Islamofobia da Austrália também documentou um aumento de 740% nas denúncias após o massacre de Bondi em 14 de dezembro, onde as autoridades alegam que dois homens armados, inspirados pelo Estado Islâmico, mataram 15 pessoas que participavam de uma celebração de um feriado judaico.

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