Ásia lidera abertura de mercados para o agronegócio brasileiro

A Ásia se tornou, nos últimos anos, o continente que mais abriu portas para o agronegócio brasileiro. Desde 2023, 228 dos 535 novos mercados liberados pelo Brasil estão no continente, incluindo carnes, pescado e frutas, por exemplo. A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia e à Coreia do Sul, a partir da próxima terça-feira (17), nesse contexto, busca consolidar a presença brasileira na região e ampliar o acesso a produtos do agro nacional.

Entre os pontos principais no encontro bilateral com a Índia estão a abertura sanitária para exportação de feijão guandu brasileiro e a redução das tarifas aplicadas ao frango, que atualmente chegam a cerca de 100% para determinados cortes.

Dados da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura mostram que, desde 2023, o feijão ocupa a terceira posição entre os produtos com maior número de novos acessos na Ásia, com 11 aberturas de mercado. 

“O mercado asiático, além de ser o principal destino das exportações brasileiras de produtos agropecuários, também tem apresentado o maior dinamismo. É muito importante destacar a intensidade do crescimento dos embarques para outros mercados, tanto das economias do Sudeste Asiático (por exemplo, Indonésia, Tailândia e Filipinas), quanto a Índia (mercado com grande potencial comprador, mas ainda muito fechado com barreiras comerciais), quanto a Coreia do Sul (mercado que paga valores bem acima da média mundial)”, detalha o pesquisador da FGV Agro, Felippe Serigato.

Em entrevista ao CNN Agro, Serigatti ressalta que, embora esse movimento venha acontecendo há tempos, “não houve perda de fôlego de 2023 para cá, apesar de o mundo ter ameaçado uma postura mais protecionista”.

No caso da Índia, já foram liberados cinco mercados para produtos do setor de citrus, dois para açaí e dois para pescados entre 2023 e 2026.

Carne bovina

Após a visita à Índia, Lula segue para a Coreia do Sul, onde a prioridade será relançar formalmente negociações para exportação de carne bovina brasileira. As tratativas haviam sido iniciadas anteriormente, mas não avançaram devido a questões políticas internas do país.

O mercado sul-coreano é um dos maiores importadores de carne bovina da Ásia e atualmente é abastecido principalmente pelos Estados Unidos e a Austrália. Nos últimos anos, a Coreia do Sul autorizou a importação de material genético de aves, amêndoa de macaúba, farinha e óleos de aves e suínos do Brasil, entre outros produtos.

No ranking de países com maior número de mercados abertos ao agro brasileiro desde 2023, a Coreia do Sul e o Japão lideram, com 18 mercados cada. Em seguida vêm a Rússia, com 16, e a Armênia, Índia e Quirguistão, com 14 cada.

Entre os 535 mercados abertos desde 2023, mais de cem estão ligados à pecuária e à piscicultura, abrangendo animais vivos, carnes, materiais genéticos e coprodutos. O desempenho na Ásia reforça a estratégia brasileira de diversificação de destinos e a importância do continente para a expansão das exportações do agro nacional.

(Colaborou Isadora Camargo, da CNN Brasil)

VER NA FONTE