Rubio visita Europa Oriental e mira laço com líderes pró-Trump

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, deve iniciar uma viagem de dois dias neste domingo (15) para fortalecer os laços com a Eslováquia e a Hungria, cujos líderes conservadores, frequentemente em desacordo com outros países da União Europeia, mantêm relações cordiais com o presidente Donald Trump.

Rubio aproveitará a viagem para discutir a cooperação energética e questões bilaterais, incluindo os compromissos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), informou o Departamento de Estado em um comunicado na semana passada.

“São países que têm uma relação muito forte conosco, são muito cooperativos com os Estados Unidos, trabalham em estreita colaboração conosco, e é uma boa oportunidade para visitá-los, além de serem dois países nos quais nunca estive”, disse Rubio a repórteres antes de partir para a Europa na quinta-feira (12).

Rubio, que em sua dupla função também atua como conselheiro de segurança nacional de Trump, se reunirá em Bratislava no domingo com o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, que visitou Trump na Flórida no mês passado.

A viagem do diplomata norte-americano ocorre após sua participação na Conferência de Segurança de Munique nos últimos dias.

Agenda na Hungria

Na segunda-feira, Rubio deverá se encontrar com o líder húngaro Viktor Orban, que está atrás nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de abril, nas quais poderá ser derrotado nas urnas.

O presidente disse que o apoia muito, e nós também”, disse Rubio. “Mas, obviamente, iríamos realizar essa visita como uma visita bilateral.”

Orbán, um dos aliados mais próximos de Trump na Europa, é considerado por muitos na extrema-direita norte-americana como um modelo para as políticas rigorosas do presidente dos EUA em relação à imigração, ao apoio às famílias e ao conservadorismo cristão.

Budapeste tem sediado repetidamente eventos da CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), que reúnem ativistas e líderes conservadores, com mais uma edição prevista para março.

Laços com Moscou e conflitos com a UE

Tanto Fico quanto Orbán entraram em conflito com as instituições da UE devido às investigações sobre o retrocesso nas regras democráticas.

Eles também mantiveram laços com Moscou, criticaram e, por vezes, atrasaram a imposição de sanções da UE contra a Rússia e se opuseram ao envio de ajuda militar à Ucrânia.

Mesmo com outros países da União Europeia garantindo fontes alternativas de energia após a invasão da Ucrânia por Moscou em 2022, inclusive por meio da compra de gás natural dos EUA, a Eslováquia e a Hungria também continuaram comprando gás e petróleo russos, uma prática criticada pelos Estados Unidos.

Rubio disse que isso seria discutido durante sua breve visita, mas não deu detalhes.

Fico, que descreveu a União Europeia como uma instituição em “profunda crise”, elogiou Trump, dizendo que ele traria a paz de volta à Europa.

Mas Fico criticou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA no início de janeiro.

A Hungria e a Eslováquia também divergiram, até o momento, de Trump em relação aos gastos com a OTAN.

Eles aumentaram os gastos com defesa para o limite mínimo da Otan de 2% do PIB.

Fico, no entanto, recusou-se a aumentar as despesas acima desse nível por enquanto, embora Trump tenha pedido repetidamente a todos os membros da OTAN que aumentassem seus gastos militares para 5%. A Hungria também planejou gastos com defesa de 2% no orçamento deste ano.

Em relação à cooperação nuclear, a Eslováquia assinou um acordo com os Estados Unidos no mês passado e Fico afirmou que a Westinghouse, empresa sediada nos EUA, provavelmente construirá uma nova usina nuclear.

Ele também afirmou, após se reunir com o presidente da empresa francesa de engenharia nuclear Framatome durante a semana, que receberia com satisfação a participação de mais empresas no projeto.

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