Um sistema militar secreto antidrone baseado em laser levou o governo dos Estados Unidos a proibir o tráfego aéreo por mais de sete horas na cidade fronteiriça de El Paso, no estado do Texas, após autoridades da aviação civil americana expressarem sérias preocupações com a segurança do tráfego aéreo comercial.
A FAA (Administração Federal de Aviação) suspendeu as restrições logo após a situação ter sido discutida no gabinete da chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, disseram duas fontes que falaram sob condição de anonimato.
O fechamento repentino do 71º aeroporto mais movimentado do país pela administração deixou passageiros retidos e interrompeu voos médicos durante a noite.
Inicialmente, a FAA afirmou que o fechamento duraria 10 dias por “razões especiais de segurança”, em uma ação sem precedentes envolvendo um único aeroporto.
Autoridades governamentais e de companhias aéreas, falando sob condição de anonimato, disseram que a administração fechou o espaço aéreo devido a preocupações de que um sistema antidrone a laser do Exército pudesse representar riscos ao tráfego aéreo.
As duas agências planejavam discutir o assunto em uma reunião em 20 de fevereiro, mas o Exército optou por prosseguir sem a aprovação da FAA, informaram as fontes, o que a levou a suspender os voos.
O laser do Exército era uma arma de energia direta chamada LOCUST e é fabricado pela AeroVironment AVAV.O, uma empresa de defesa contra drones e sistemas antidrone com sede na Virgínia, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto.
A empresa e o Pentágono não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
A FAA suspendeu as restrições depois que o Exército concordou em realizar mais testes de segurança antes de usar o sistema, que fica em Fort Bliss, ao lado do Aeroporto Internacional de El Paso.
Fechamento sem aviso prévio
A Casa Branca foi surpreendida pelo fechamento do espaço aéreo de El Paso, segundo duas fontes que falaram sob condição de anonimato, o que desencadeou uma mobilização entre as agências de segurança para descobrir o que havia acontecido.
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, que supervisiona a FAA (Administração Federal de Aviação), afirmou que o fechamento foi motivado pela incursão de um drone de um cartel de drogas mexicano.
No entanto, o avistamento de um drone perto de um aeroporto normalmente leva a uma breve pausa no tráfego aéreo, não a um fechamento prolongado, e o Pentágono afirma que ocorrem mais de mil incidentes desse tipo por mês ao longo da fronteira entre os Estados Unidos e o México.
O administrador da FAA, Bryan Bedford, reuniu-se com senadores na quarta-feira (11) e disse que poderia ter havido melhor coordenação em relação à medida, mas não respondeu a perguntas detalhadas sobre o motivo pelo qual a agência planejou inicialmente uma suspensão de 10 dias dos voos, disseram os parlamentares.
O presidente do Comitê de Comércio do Senado, Ted Cruz, republicano do Texas, e o senador Ben Ray Lujan, democrata do Novo México, solicitaram uma reunião confidencial para obter mais esclarecimentos.
“Os detalhes do que exatamente ocorreu sobre El Paso não estão claros”, disse Cruz.
A medida deixou inúmeras aeronaves da Southwest Airlines, United Airlines e American Airlines retidas no aeroporto, que recebe cerca de 4 milhões de passageiros por ano.
O prefeito de El Paso, Renard Johnson, afirmou que a FAA não entrou em contato com o aeroporto, o chefe de polícia ou outras autoridades locais antes de fechar o espaço aéreo.
“Quero deixar bem claro que isso nunca deveria ter acontecido”, disse ele em uma coletiva de imprensa.
A responsável pela segurança aeroportuária nos EUA, a administradora interina da TSA (Administração de Segurança de Transportes), Ha Nguyen McNeill, também disse ao Congresso que não havia sido notificada.
“Isso é um problema”, disse o deputado republicano Tony Gonzales, do Texas, que afirmou haver incursões diárias de drones ao longo da fronteira entre os EUA e o México.