Setor de biocombustíveis e biometano se mobiliza, cria coalização parlamentar e quer dominar debate para opção ser a principal na “descarbonização” dos transportes



Coalização foi criada nesta quarta-feira (04) Foco serão fontes como etanol, biodiesel, combustível sustentável de aviação (SAF), biogás e biometano. Eletromobilidade pode perder vez no centro dos debates políticos

ADAMO BAZANI

As frentes parlamentares produtivas, de biocombustíveis e bioenergia, incluindo o biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos) lançaram  nesta quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026, uma coalização pela consolidação do Brasil como referência global em transição energética.

Com isso, setores voltados à produção destes combustíveis e de veículos, sejam particulares, comerciais leves e pesados (ônibus e caminhões) querem estar à frente dos debates para a redução da poluição gerada pelas atividades relacionadas aos transportes.

A eletromobilidade, considerada por especialistas outra alternativa (não a única) no processo chamado de “descarbonização” pode perder espaço e representatividade nos debates.

Como mostrou o Diário do Transporte, muito mais que o nível técnico, a transição energética vai fazer parte do debate eleitoral para 2026, com o risco de um verdadeiro “Fla x Flu” entre eletrificação e biocombustíveis/biometano, com cada setor defendendo seu interesse econômico.

Não que seja uma via de regra, mas por estar mais compatível com os interesses do agro, segmento majoritariamente com integrantes da “direita”, os biocombustíveis devem ser mais defendidos por esta vertente política.

Já a eletrificação reúne simpatia de segmentos menos conservadores, mais identificados com a “esquerda”.

Mas isso não significa uma tendência fechada.

Caberá a cada setor “vender seu peixe” e a sociedade e os gestores entenderem que todas as visões e alternativas são válidas, desde que aplicadas nos locais, nas doses e com os investimentos corretos.

Relembre reportagem de bastidor neste link: https://diariodotransporte.com.br/2025/12/01/tendencias-eleicoes-de-2026-correm-o-risco-de-virar-fla-x-flu-do-eletrico-x-biometano-gnv-com-o-diesel-no-centrao/

Os focos da coalização criada nesta quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026, serão fontes como etanol, biodiesel, combustível sustentável de aviação (SAF), biogás e biometano.

A intenção da coalização e destes setores não é somente estar a frente dos debates nacionalmente, mas colocando a imagem do Brasil em plano internacional como o “País dos Biocombustíveis”.

Tanto é que, segundo o deputado federal, Arnaldo Jardim (CIDADANIA/SP), que é presidente da Comissão de Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde, em entrevista coletiva, a coalização deve apresentar até 09 de março de 2026, ao presidente da COP 30, (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), o diplomata André Corrêa do Lago, um documento para compor as diretrizes do chamado “Mapa do Caminho” para a redução do uso dos combustíveis fósseis.

Em entrevista ao Painel Eletrônico nesta quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026, programa oficial de Rádio da Câmara, o deputado Arnaldo Jardim, que é presidente também desta coalizão saiu em defesa dos biocombustíveis não somente como alternativas de redução de poluição, mas de estratégica econômica como posicionamento global e na geração de empregos.

“Além de ter esse benefício ambiental extraordinário, os biocombustíveis produzem uma cadeia muito grande de emprego e renda, porque a extração do petróleo, ela é limitada, é uma atividade quase que solitária de alguns especialistas. E plantar aquilo que é o milho ou a cana para produzir etanol, plantar a soja, plantar a mamona, extrair o biodiesel a partir do sebo bovino, fazer com que aterros, que antes emitiam só poluentes, mas isso possa produzir o biometano, o biogás, como todos os dejetos também do agro ser utilizados, aquilo que vem de confinamentos, de granjas, tudo isso cria uma virtuosidade muito grande,” defendeu.

Na mesma entrevista, segundo a Rádio Câmara, Arnaldo Jardim lembrou que a 30ª edição Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, COP30, realizada no país em novembro, permitiu ao Brasil mostrar com dados e estudos que a produção dos biocombustíveis não compete com a de alimentos; pelo contrário, elas se complementam.

“Então aqui cada um dos setores é tratado. O etanol, o biodiesel, o biogás, o combustível sustentável de aviação, mas acima de tudo é tratado também uma diretiva que o Brasil já participa internacionalmente, há uma aliança global pelos biocombustíveis, reunindo governos. E agora nós, no Parlamento, também avançamos”, destacou.

Segundo o deputado, a Lei do Combustível do Futuro permitiu a expansão da porcentagem de biocombustíveis no combustível usado no país. Arnaldo Jardim enfatizou, por exemplo, que a mistura do etanol na gasolina subiu de 27% para 30%. Do biodiesel de 14% para 15% do diesel. Há também conversas para ampliação do percentual de biometano no gás natural. E ainda para o combustível sustentável de aviação e no transporte marítimo.

O “Mapa do Caminho” ficou de fora da carta oficial da COP-30, da ONU (Organização das Nações Unidas), que foi realizada em Belém no mês de novembro de 2025, mas o Brasil lançou o debate em nível global para que o mundo reduza a dependência do Petróleo.

As regras da COP são as seguintes: O país que sediou a edição de um determinado ano, preside a COP até “entregar” a presidência para o País que será a nova sede.

O país sede-atual realiza a abertura da COP no país que sedia a edição seguinte. O número logo depois da sigla COP é a quantidade de edições. Ou seja, foram feitas até agora, 30 COPs.

A COP-31 será na Turquia, com a Austrália liderando o processo.  São dois países à frente do evento porque houve um impasse entre Austrália e Turquia.

André Corrêa do Lago vai ler na abertura o documento brasileiro e o setor de biocombustíveis e biometano que se mostrar como a principal solução para o “Mapa do Caminho”.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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