Frio e IA impulsionaram emissões de gases de efeito estufa dos EUA em 2025, diz relatório

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Os Estados Unidos registraram uma alta de 2,4% nas emissões de gases de efeito estufa em 2025, segundo um relatório produzido pelo centro de pesquisas Rhodium Group, com sede em Nova York. O documento foi divulgado nesta terça-feira, 13, a partir de dados preliminares sobre atividade energética, e enxerga a demanda por combustível para aquecimento e o avanço da Inteligência Artificial como impulsionadores do cenário.

A publicação afirma que as temperaturas mais frias do inverno fizeram com que a demanda por aquecimento se elevasse em edifícios, com emissões diretas do uso de combustíveis nesses locais chegando a 6,8%.

Um cenário semelhante pode ser visto no setor energético, onde o uso do carvão levou a um aumento de 3,8% nas emissões. Considerado o “combustível fóssil mais sujo”, o carvão voltou a ser utilizado em meio ao cenário de elevação nos preços do gás natural para aquecimento e das exportações de gás natural liquefeito (GNL). No total, o combustível gerou 13% mais eletricidade do que o registrado no ano anterior.

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“O clima é irregular de um ano para outro (…) flutua assim por causa de um maior consumo de combustível para aquecimento”, disse Michael Gaffney, analista do Rhodium Group e co-autor do relatório, à agência de notícias AFP. “Mas, no setor elétrico, isso se deve ao aumento contínuo da demanda por parte de centros de dados, operações de mineração de criptomoedas e outros grandes consumidores”.

A alta no número de emissões americanas interrompe a sequência de reduções vistas em 2024 (0,5%) e 2023 (3,5%). O cenário pode ser preocupante, uma vez que os dados atuais foram registrados antes de medidas favoráveis aos combustíveis fósseis, assinadas pelo presidente Donald Trump no ano passado, entrarem em vigor.

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Embora o ex-presidente Joe Biden tenha fixado uma redução expressiva como meta até 2035, o objetivo de diminuir o número de emissões entre 50% e 52% em relação a 2005 parece distante, e as novas políticas de Trump tornam as tendências de médio e longo prazo mais incertas. Desde que o republicano voltou ao poder, a Casa Branca vem favorecendo grupos petrolíferos e tenta barrar projetos solares e eólicos, além de revogar incentivos para compra de veículos elétricos.

Os Estados Unidos são o segundo maior poluidor do mundo, ficando somente atrás da China, acumulando números elevados de emissões desde o século XIX, quando a atividade industrial se desenvolveu. Após atingir seu maior número em 2007, as emissões americanas vêm reduzindo cerca de 1% ao ano, uma tendência associada à substituição do carvão pelo gás natural, à melhora da eficiência energética e ao aumento da participação de fontes renováveis.

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