Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
A inquietação nas noites em claro, a seletividade severa na hora das refeições e os episódios de autoagressão. Na rotina da manicure Larice Amaral, de 30 anos, moradora do bairro Coração, em Macapá, esses sinais dados pela filha, a pequena Lara Jasmine, vinham acompanhados de uma angústia ainda maior: a falta de respostas. Larice suspeitava que a filha estivesse no espectro autista, mas o alto custo de exames e consultas particulares tornava o diagnóstico um sonho distante de sua realidade financeira.
A realidade de Larice começou a mudar quando ela cruzou o caminho do “Te Apoio Amapá”, um projeto de acolhimento e inclusão desenvolvido pelo Centro Amazônico de Ensino Profissionalizante (CAEP) que conta com o apoio da deputada estadual Aldilene Souza. A filha de Larice foi uma das 80 crianças contempladas na primeira fase de entrega de laudos da iniciativa.
“No momento eu não teria essa condição, porque eu sei que é um valor muito alto para estar pagando os exames, as consultas. Graças a essa iniciativa desse projeto, graças a Deus e a eles também, à deputada, nós conseguimos as consultas tudo de graça. Eu consegui o laudo de que ela tem autismo nível 1. Agora é só buscar cuidar mais ainda dela. Não sei nem explicar a emoção, porque não é fácil para nós, mães atípicas, cuidar de crianças assim. Quem dá força para a gente é Deus”, desabafa Larice, emocionada.

Com apoio da deputada Aldilene Souza, projeto entregou 80 laudos gratuitos a crianças atípicas. Fotos: divulgação
O sucesso e o impacto do projeto refletem uma demanda reprimida e urgente no Estado. De acordo com o CEO do CAEP, Marcio Nobre, a procura pelas vagas revelou a necessidade gritante da população de baixa renda por assistência especializada.
“Dentro do processo, nossos assistentes sociais conseguem diagnosticar as famílias que estão dentro da margem de risco social e econômico, aquelas que não conseguem arcar com uma anamnese total. A equipe da deputada nos procurou, nós desenvolvemos o projeto Te Apoio Amapá e fizemos as inscrições. Para se ter uma ideia, o *boom* do momento eram 80 vagas, mas cerca de 709 famílias se inscreveram”, explicou Marcio Nobre.

Laudos gratuitos levaram alívio e esperança a famílias que aguardavam pelo diagnóstico
O gestor ressaltou ainda que o trabalho investigativo da equipe multiprofissional acabou indo muito além do Transtorno do Espectro Autista (TEA), funcionando como uma verdadeira rede de proteção à infância.
“O projeto não fica fechado somente em diagnosticar. A gente faz toda uma pesquisa com a nossa equipe de assistentes sociais e neuropediatras, fazemos toda essa investigação. Nós estamos muito felizes que conseguimos fechar a nossa demanda, entregar os laudos e diagnosticar outros tipos de condições, como esquizofrenia. Também conseguimos diagnosticar casos de abuso infantil e cárcere privado. Não era o objeto do projeto, mas nós encaminhamos para as autoridades competentes. A deputada Aldilene Souza, que é a mentora deste pedido, para dizer a verdade, nos apoiou em todo o momento”, revelou o CEO do CAEP.
Para quem recebe o documento, o laudo representa o fim da incerteza e o início de um novo ciclo de amor e direitos garantidos. O agente público José Ubirajara, pai de Luana Emanuelly, de 6 anos, também vivenciou esse alívio ao receber o diagnóstico da filha através do projeto.
“A grande iniciativa para a gente procurar este projeto é devido ao custo. Hoje, uma consulta aí fora você paga um absurdo, e aqui, através da deputada Aldilene Souza, foi totalmente gratuito. A gente, que vem de família humilde, carente, precisa muito de um laudo médico para saber se tem ou não algum grau de TDAH, de autismo, etc. Essa foi a grande preocupação que nos fez procurar o projeto para receber essa assistência”, pontuou José.
Quando questionado sobre como o diagnóstico mudaria o dia a dia da família, o pai deu uma resposta tocante: “Com certeza a gente vai ter um impacto muito grande, porque agora vamos ter a certeza. Aí a gente vai passar a tratar ela como já trata, ou melhor ainda, com mais cuidado, com muito amor e carinho”.

Projeto identificou casos de autismo, outros transtornos e situações de violência contra crianças
Baseado nas diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o “Te Apoio Amapá” atende crianças e adolescentes de até 16 anos. Diante do impacto da ação em apenas quatro meses de execução, a deputada Aldilene Souza garantiu que o acolhimento às famílias atípicas continuará recebendo atenção prioritária em seu mandato, com a destinação de novas emendas para este ano.
“Quando a CAEP me apresentou o projeto, percebi que, através de emenda do nosso mandato, com recurso, a gente ia conseguir amenizar essa fila de espera do TEA. O mais importante é que agora, em quatro meses, o Te Apoia Amapá está entregando os primeiros 80 laudos a essas crianças com TEA, TOD, TDAH e outros casos encontrados pela equipe. A maior felicidade é saber que a gente contribuiu e deixar bem claro que eu já destinei mais recursos este ano. O projeto vai ter continuidade e a gente vai conseguir reduzir e amenizar a dor desses pais e dessas mães atípicas da fila do TEA do Estado do Amapá”, garantiu a parlamentar.
Para as famílias beneficiadas, o evento desta semana não entregou apenas papéis, mas sim um norte, o acesso a tratamentos adequados e a certeza de que não estão sozinhas.