
Apesar de indicadores macroeconômicos positivos durante o ano de 2026, a percepção das famílias brasileiras é que o custo de vida está cada vez mais caro. Medido pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador calculado pelo IBGE, o custo dos principais itens alimentícios tem pressionado o bolso dos consumidores, elevando o teto da inflação.
Mesmo com uma expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de cerca de 2%, dólar na casa dos R$ 5 e discreta queda na taxa de juros, manter o padrão de vida tem custado mais para os brasileiros. Razões internas e externas têm influenciado no valor do dinheiro. O petróleo, por exemplo, ficou mais caro devido à guerra entre Irã e Estados Unidos, refletindo também nos preços aqui.
A alta de itens básicos e o peso da inflação no custo de vida
A energia é, aliás, um dos fatores que mais impactam no orçamento familiar. Combustível mais caro significa gastar mais para abastecer o carro de passeio, bem como fretes mais caros, o que acaba por influenciar no preço dos alimentos. Um bom exemplo disso é o aumento no preço da cesta básica.
Em cerca de uma década e meia, o preço da cesta variou mais de 200% para cima, enquanto o salário mínimo apenas 178,5%, segundo levantamento da Associação Comercial de São Paulo. Na prática, na capital paulista, é preciso desembolsar 60% do salário mínimo atual, de R$ 1.621,00, para ter acesso ao item.
Somente no mês de maio de 2026, o IPCA subiu 0,62%, puxado justamente pelas categorias de alimentação e bebidas, que subiram 1,38%. Até maio, a inflação medida pelo índice foi de 4,39%. Um aumento acaba puxando outro, refletindo no preço de serviços, por exemplo, que incorporam os custos já elevados e os repassam ao consumidor final.
Até mesmo fenômenos climáticos causam impacto no custo de vida. Com previsão de ocorrência do El Niño ainda este ano, a tendência é que as safras sejam prejudicadas. Secas prolongadas, por exemplo, afetam as culturas de frutas, legumes e tubérculos.
Alternativas e iniciativas para mitigar os impactos financeiros
O modelo agroexportador também contribui para que as principais culturas brasileiras sejam vendidas para fora, principalmente devido ao preço do dólar. Por isso, é fundamental que o brasileiro procure meios para gastar menos. Uma dessas soluções é optar por planejar suas compras, priorizando sempre frutas, legumes e verduras da estação.
Uma opção interessante é fazer compras de alimentos nas feiras livres, que costumam ser mais baratas que hortifrutis e mercados. Outra opção, principalmente para as populações em situação de vulnerabilidade, é recorrer a programas sociais como gás do povo, de forma a garantir uma maior segurança alimentar.
No mais, enquanto os custos sobem mais que o reajuste dos salários, é fundamental buscar maneiras de fazer o dinheiro render. Evitar desperdícios, racionalizar o uso de eletrodomésticos que consomem mais energia e cortar gastos supérfluos são algumas das formas mais práticas e rápidas de sofrer menos com a inflação.
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