Enquanto autoridades de saúde reforçam o alerta diante do aumento de casos de sarampo nas Américas, um novo boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) revela que apenas dois municípios acreanos atingiram a meta de cobertura vacinal recomendada pelo Ministério da Saúde em 2025.
Os dados mostram que somente Rio Branco e Senador Guiomard alcançaram a meta de 95% de cobertura para a primeira dose da vacina tríplice viral (D1), considerada essencial para evitar a reintrodução da doença no estado.
O levantamento acende um alerta porque o sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo, e a manutenção de altas coberturas vacinais é considerada fundamental para impedir a circulação do vírus.
Segundo o boletim, a cobertura da primeira dose da tríplice viral ficou distribuída da seguinte forma nos municípios acreanos:
- Rio Branco – 100,44%
- Senador Guiomard – 100,11%
- Acrelândia – 94,67%
- Manoel Urbano – 94,51%
- Assis Brasil – 92,20%
- Porto Acre – 91,53%
- Capixaba – 89,47%
- Brasiléia – 88,91%
- Epitaciolândia – 88,68%
- Bujari – 88,34%
- Feijó – 87,80%
- Sena Madureira – 87,24%
- Cruzeiro do Sul – 84,98%
- Xapuri – 84,55%
- Tarauacá – 82,86%
- Rodrigues Alves – 80,74%
- Jordão – 79,34%
- Porto Walter – 76,86%
- Mâncio Lima – 74,32%
- Santa Rosa do Purus – 71,53%
- Marechal Thaumaturgo – 69,88%
Os números mostram que diversos municípios permanecem distantes da meta estabelecida nacionalmente. Em alguns casos, a cobertura não alcança sequer 80% do público-alvo, situação que aumenta o risco de surtos caso haja introdução do vírus.
Diferença entre as doses preocupa
O boletim também aponta uma queda significativa na adesão à segunda dose da vacina tríplice viral (D2), etapa necessária para garantir proteção mais efetiva contra a doença.
Em Rio Branco, por exemplo, a cobertura da primeira dose superou a meta nacional, mas caiu para cerca de 74% na segunda aplicação. Cenário semelhante foi observado em diversos municípios acreanos.
Especialistas em saúde pública alertam que o abandono do esquema vacinal reduz a proteção coletiva e pode favorecer a reintrodução do sarampo, especialmente em períodos de maior circulação internacional de pessoas.
Meta é evitar reintrodução da doença
O Acre não registra casos confirmados de sarampo há mais de duas décadas, mas a Secretaria de Saúde reforça que a manutenção desse cenário depende diretamente das altas coberturas vacinais.
A preocupação aumentou após o crescimento dos casos em diversos países das Américas. Segundo dados recentes divulgados pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), mais de 20 mil casos já foram registrados no continente em 2026, incluindo ocorrências em países vizinhos ao Brasil.
Diante desse cenário, a Sesacre orienta pais e responsáveis a verificarem a situação vacinal de crianças e adolescentes e procurarem as unidades de saúde para atualização das doses em atraso. A vacina contra o sarampo é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).