“Acre é referência nacional”, diz presidente da Liga de Quadrilhas Juninas


Durante a última noite do 18º Circuito Junino, em Rio Branco, o presidente da Liga de Quadrilhas Juninas do Acre, Aurimar Aragão, afirmou em entrevista ao ac24horas que os espetáculos juninos envolvem alto custo de produção, forte mobilização comunitária e já alcançam reconhecimento nacional.

Aurimar destacou que, embora haja repasse financeiro às quadrilhas, os valores são insuficientes diante do custo real das apresentações. Segundo ele, o investimento total em cada grupo ultrapassa com frequência a casa dos R$ 100 mil. “O investimento varia muito, mas o mínimo é cento e poucos mil reais em cada uma. Desde a gravação do CD, a confecção do figurino, a confecção dos cenários, a contratação do cenográfico, a parte dos adereços. Então, é muito caro”, disse.

O presidente da Liga ressaltou ainda que as quadrilhas mantêm suas atividades ao longo de todo o ano por meio de ações comunitárias e eventos para arrecadação de recursos. “As escolas trabalham muito. É fazendo arraial, é fazendo rifa, é fazendo feijoada. E aí trabalham o ano inteiro para poder chegar a esse momento aqui no circuito municipal”, pontuou.

Aurimar explicou também o funcionamento do regulamento e do sistema de avaliação das apresentações, que seguem critérios técnicos definidos pela organização. “A avaliação é discutida com os coordenadores gerais, é o regulamento do festival. Aí se avalia casamento, figurino caipira, coreografia, harmonia e evolução. E aí os jurados são indicados pelas juninas e eles têm o trabalho de, durante a apresentação, achar os erros, a primeira vez é com 10 e vai perdendo seus pontos”, ressaltou.

Ele destacou que os jurados são profissionais com conhecimento técnico na área cultural. O dirigente também chamou atenção para a projeção nacional das quadrilhas juninas acreanas, que vêm participando de competições fora do estado e conquistando títulos importantes.

“O Acre hoje é referência nacional, nós temos uma campeã nacional no Acre. A Sassaricando na Roça é campeã do Arraial Brasil. Nós somos filiados da confederação e todo ano a gente tem participado”, ressaltou.

Segundo ele, os grupos campeões representam o estado em diferentes festivais pelo país. “Esse ano diferenciado, nós estamos participando num evento do Nordeste. A gente mandou a campeã do Arraial Brasil e a campeã estadual para festivais nacionais em outras regiões”, salientou.

Aurimar reforçou que o objetivo é ampliar a visibilidade da cultura acreana. “Quanto mais levar o nome do nosso estado pra fora, pro nosso país, pra que as pessoas conheçam a nossa cultura, o nosso ritmo, que é um ritmo bem frenético”, ressaltou.

Ao detalhar a dinâmica das apresentações, ele explicou que tudo é rigidamente cronometrado. “O regulamento fala do tempo de concentração. Depois tem a segunda concentração. O tempo de produção é de 10 minutos. Passou disso, perde ponto. Depois tem o tempo de apresentação, casamento caipira e dança. Tudo isso é cronometrado”, destacou.

Por fim, Aurimar destacou o nível de exigência do festival e a competitividade entre os grupos. “O pessoal aqui tem que ter sangue no olho. Porque são os regulamentos, os quesitos que vão fazer você ser campeão”, finalizou.

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