As mortes de crianças menores de 2 anos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) atingiram o maior patamar dos últimos três anos no Acre. Dados do mais recente boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) mostram que oito bebês morreram em decorrência de complicações respiratórias entre as semanas epidemiológicas de janeiro até o dia 6 de junho.
O número representa um aumento em relação aos anos anteriores. No mesmo período de 2024 foram registrados três óbitos nessa faixa etária, enquanto em 2025 o total foi de quatro mortes.
Segundo o boletim, o crescimento dos óbitos infantis ocorre em um cenário marcado pela forte circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), apontado como um dos principais responsáveis pelo aumento das internações e casos graves registrados no estado ao longo deste ano.
Mudança no perfil das mortes
O levantamento da Sesacre aponta uma mudança importante no perfil da mortalidade por síndromes respiratórias no Acre.
Enquanto os óbitos entre crianças menores de 2 anos aumentaram, as mortes entre idosos com 60 anos ou mais apresentaram redução significativa. Em 2024, o estado registrou 62 mortes nessa faixa etária. Em 2025 foram 39 óbitos. Já em 2026, o número caiu para 14.
De acordo com a análise epidemiológica apresentada no boletim, essa inversão entre os grupos etários representa uma característica típica de surtos severos de Vírus Sincicial Respiratório em ambientes de alta transmissibilidade.

Mais de 1,5 mil internações no estado
Os dados de mortalidade são divulgados em meio ao aumento das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave no Acre.
Até a semana epidemiológica 22, o estado registrou 1.547 internações, número superior ao observado no mesmo período de 2024 e 2025.
As crianças também lideram os registros de hospitalização. A faixa de 2 a 4 anos soma 331 internações, seguida por crianças de 5 a 9 anos, com 289 casos, e menores de 2 anos, com 237 registros. Entre os idosos, foram contabilizadas 291 internações.
O boletim aponta que o VSR e o rinovírus são os vírus respiratórios com maior circulação em 2026 e aparecem entre os principais responsáveis pelos casos graves que exigiram hospitalização.