Mais de 70% dos idosos e quase 60% das crianças não tomaram vacina da gripe no Acre, aponta Sesacre


O Acre segue longe de alcançar a meta de vacinação contra a Influenza e enfrenta um cenário preocupante em meio ao avanço das síndromes respiratórias graves. Dados do Boletim Epidemiológico nº 20 da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) mostram que mais de 70% dos idosos e quase 60% das crianças do público-alvo ainda não receberam a vacina contra a gripe na campanha 2025/2026.

O levantamento aponta que apenas 27,48% dos idosos com mais de 60 anos foram imunizados. Entre as crianças de seis meses a menores de seis anos, a cobertura vacinal alcançou 41,02%. Nenhum dos grupos prioritários atingiu a meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.

Os números ganham ainda mais relevância diante do aumento das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no estado. Em 2026, o Acre já contabiliza 1.547 hospitalizações relacionadas às doenças respiratórias, com maior concentração entre crianças e idosos.

Crianças e idosos lideram grupo mais vulnerável

A análise da Sesacre destaca que a baixa cobertura vacinal ajuda a explicar por que crianças e idosos continuam entre os grupos mais afetados pelas síndromes respiratórias graves.

As crianças menores de 10 anos concentram grande parte das internações registradas no estado. Somente os grupos de menores de dois anos e de dois a quatro anos somam mais de 530 hospitalizações em 2026. A vacinação insuficiente facilita a evolução de casos de síndrome gripal para quadros graves que exigem atendimento hospitalar.

Entre os idosos, a preocupação também é elevada. Embora os óbitos por SRAG nessa faixa etária tenham apresentado redução em comparação ao ano passado, a cobertura de apenas 27,48% mantém o risco de novos surtos, internações e mortes associadas à Influenza.

Puérperas têm cobertura de apenas 2,6%

O dado mais alarmante do boletim está relacionado às mulheres no período pós-parto.

A cobertura vacinal entre puérperas alcançou apenas 2,6% em todo o Acre, o menor índice entre todos os grupos prioritários. Segundo a análise epidemiológica, esse cenário reduz a proteção indireta dos recém-nascidos, que recebem parte da imunidade materna nos primeiros meses de vida.

A situação é ainda mais crítica porque 13 dos 22 municípios acreanos registraram cobertura vacinal zerada entre puérperas, incluindo Rio Branco.

Juruá e Baixo Acre apresentam os piores cenários

O detalhamento por regionais de saúde mostra que a baixa adesão à vacinação ocorre em praticamente todo o estado.

Na regional do Juruá, a cobertura vacinal entre idosos é de apenas 21,01%, a menor do Acre. Municípios como Rodrigues Alves (11,94%) e Porto Walter (17,39%) registram alguns dos menores índices de imunização. Em Cruzeiro do Sul, apenas 34,09% das crianças receberam a vacina contra a gripe.

Já na regional do Baixo Acre, Rio Branco alcançou cobertura de 40,5% entre crianças e 44,65% entre idosos. Em Bujari, os índices são ainda menores, chegando a 20,87% entre crianças e apenas 8,28% entre idosos.

Segundo o boletim, essas regiões coincidem com os principais polos de atendimento hospitalar para pacientes com síndromes respiratórias graves, o que aumenta a pressão sobre a rede pública de saúde.

Gestantes lideram vacinação, mas meta ainda está distante

Entre os grupos prioritários, as gestantes apresentaram o melhor desempenho, com cobertura de 64,05%. Apesar disso, o percentual ainda permanece abaixo da meta de 90%.

A população indígena também está entre os grupos com baixa proteção, registrando cobertura de apenas 30,73%, índice considerado preocupante devido à maior vulnerabilidade dessas comunidades às doenças respiratórias.



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