Incerteza política aumenta riscos para investidores e pode frear economia, avalia Haroldo Amoras



Em meio às eleições suplementares que definirão neste domingo (21) o novo governador e vice-governador de Roraima, o doutor em Ciência Política e economista Haroldo Amoras dos Santos afirmou que cenários de insegurança política e institucional têm reflexos diretos sobre a economia. Segundo ele, quando há incerteza sobre as decisões das instituições e do poder público, investidores tendem a adiar projetos, elevar os custos dos investimentos ou procurar mercados considerados mais seguros.

A entrevista foi concedida à FolhaBV durante a cobertura do pleito. Para explicar os impactos da instabilidade sobre a economia, o economista recorreu aos estudos do norte-americano Douglass North, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 1993. Em suas pesquisas, North defendeu que o desenvolvimento de um país depende não apenas de recursos naturais ou da capacidade de produzir riqueza, mas principalmente da existência de instituições fortes e de regras claras, capazes de garantir segurança para quem investe.

Segundo Haroldo, é justamente a falta dessa previsibilidade que aumenta os riscos para empresas e investidores.

“Há uma teoria de Douglass North que demonstra, com evidências históricas e econométricas, que a incerteza, principalmente a gerada por fatores institucionais ou políticos, aumenta os riscos dos investidores e, naturalmente, isso acaba sobrando para os consumidores”, afirmou.

Na avaliação do economista, quando não há clareza sobre quais decisões serão tomadas ou sobre o rumo das instituições, investidores passam a agir com mais cautela. Esse comportamento reduz a disposição para novos empreendimentos e acaba refletindo em toda a economia.

“A incerteza é um cenário em que não se sabe qual é a tendência dominante nem qual será o possível resultado. Então se fica no escuro. E, quando o governo entra nesse ambiente de incerteza, a situação se torna ainda mais complicada”, explicou.

Para ele, o aumento da insegurança faz com que quem pretende investir procure formas de compensar o risco assumido. Em muitos casos, isso significa cobrar mais caro pelos produtos e serviços ou até mesmo desistir de aplicar recursos em determinado mercado.

“Com o aumento do risco, quem investe procura cobrar um preço muito mais alto porque precisa criar uma margem para compensar possíveis perdas”, disse.

Regras claras estimulam investimentos

Ao citar a teoria de Douglass North, Haroldo lembrou que o economista norte-americano defendia que as instituições funcionam como as “regras do jogo” de uma sociedade. Leis, contratos, direitos de propriedade e decisões do sistema de Justiça ajudam a criar um ambiente de confiança, no qual empresas conseguem planejar investimentos de longo prazo.

Segundo o economista, quando essas regras deixam de ser previsíveis ou passam a gerar dúvidas, o ambiente econômico perde competitividade.

“As leis são as instituições. Os órgãos são apenas os gestores dessas instituições. Quando as regras são respeitadas, existe segurança para quem quer investir”, afirmou.

Venezuela e China

Para ilustrar como diferentes ambientes institucionais influenciam a economia, Aroldo comparou dois exemplos internacionais.

O primeiro foi a Venezuela. Segundo ele, intervenções do Estado, como a fixação de preços e a desapropriação de empresas privadas, contribuíram para afastar investidores.

“Quem queria investir na Venezuela? Ninguém. A pessoa construía um supermercado e, de repente, o governo fazia a fixação de preços e depois se apropriava da empresa. Isso deixava de ser um funcionamento normal do mercado e prejudicava a aplicação de recursos para produzir”, afirmou.

Em seguida, o economista citou a China como um exemplo de maior previsibilidade para investidores estrangeiros.

“O governo chinês protege quem faz investimentos dentro das regras do jogo do país. Isso gera mais segurança e reduz os riscos para quem decide investir”, explicou.

Ao concluir a análise, Haroldo afirmou que decisões políticas e institucionais capazes de ampliar a insegurança acabam produzindo efeitos que vão além do ambiente econômico.

“São riscos que fogem do normal e, por isso, prejudicam o funcionamento das atividades econômicas e também das atividades políticas”, concluiu.



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