Ex-secretário aponta “pedalada” de equipe e R$ 1,2 bi de rombo


O ex-secretário de Planejamento e contador-geral de Cuiabá, Éder Galiciani, afirmou que a pasta desconhecia a existência das dívidas e que os ex-secretários da gestão Emanuel Pinheiro (PSD) cometiam “pedaladas fiscais”.

O conhecimento disso se deu já na gestão Abilio, que os secretários começaram e apurar esses valores 

 

Galiciani prestou depoimento nesta sexta-feira (19) em oitiva da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara Municipal, que investiga a contratação e execução sistemática de despesas sem empenho na gestão passada.

 

“Sim, houve pedalada, não pelo chefe do Executivo, mas por cada secretário que fizeram essas despesas sem empenho. Cada Secretaria pedalou da sua forma, porque não tinha orçamento e continuou realizando as despesas”, disse.

 

Segundo ele, as irregularidades foram cometidas por diversos secretários, que continuaram a realizar despesas mesmo sem a existência de orçamento disponível nas pastas e que o “rombo” só foi descoberto após os secretários da gestão Abilio Brunini (PL) assumirem e realizarem um “pente fino” nas Pastas.

 

“Era de desconhecimento nosso que essas despesas aconteciam. Durante o ano de 2024, em dezembro [tivemos superávit] em R$ 66 milhões, mas por que? Porque não houve despesas que foram devidamente registradas, empenhadas”, afirmou. 

 

“O conhecimento disso se deu já na gestão Abilio, que os secretários começaram e apurar esses valores dentro das secretarias. Isso contribuiu com o déficit financeiro a curto prazo de R$ 1,25 bilhão no exercício de 2024”, completou.

 

Maiores dívidas

 

Conforme o depoimento, as Pastas que concentraram o maior volume de despesas sem cobertura orçamentária foram as secretarias de Saúde, principalmente pela Empresa Cuiabana de Saúde Pública, e a de Comunicação (Secom). 

 

O ex-secretário detalhou que a Comunicação acumulou R$ 30 milhões em gastos sem o indispensável empenho prévio. Já na Saúde, a soma dos valores não empenhados com as despesas que chegaram a ser empenhadas, mas não foram pagas pela gestão anterior, gerou uma dívida que atinge quase R$ 600 milhões.

 

Os valores geraram revolta no vereador Wilson Kero Kero, membro da CPI, que citou o caos na Saúde nos primeiros meses da gestão Abilio, causadas pelas dívidas deixadas por Emanuel.

 

“Praticamente inviabilizou a Saúde. Isso justifica a intervenção [decreto de calamidade econômica] e as dificuldades que estão postas até hoje. Mesmo saldando muita coisa, cerca de R$ 350 milhões já foram pagos segundo o prefeito Abilio, mesmo assim as dificuldades são muito grandes”, disse o vereador.

 

A atual gestão precisou aprovar na Câmara um projeto de lei fixando parcelas para a quitação de uma dívida total de R$ 723 milhões, herdada da gestão anterior e parcelar dívidas de R$ 200 milhões da Empresa Cuiabana de Saúde Pública.

 

Galiciani já havia sido ouvido em oitiva na CPI das Fraudes Fiscais, que chegou ao fim em novembro de 2025 e que pediu o seu indiciamento por violar artigo 42 da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).

 

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