A exatos 106 dias para as eleições de 2026, a composição das chapas majoritárias para o Governo do Maranhão ainda apresenta um cenário de indefinições, especialmente em relação às candidaturas a vice-governador. Embora os cinco principais pré-candidatos já tenham consolidado seus projetos políticos e iniciado articulações eleitorais, a escolha dos companheiros de chapa permanece cercada por negociações, disputas internas e cálculos estratégicos.
A vaga de vice-governador, historicamente tratada como um instrumento de equilíbrio político, ganhou ainda mais relevância no atual cenário maranhense. Além de ajudar na construção de alianças, o cargo pode representar a ampliação de bases eleitorais, fortalecer segmentos específicos da sociedade e servir como peça fundamental na montagem das coalizões que disputarão o Palácio dos Leões em 2026.
Até o momento só Eduardo Braide definiu sua vice
Entre os pré-candidatos, apenas o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), já definiu que a sua vice-governadora na chapa majoritária é a empresária Elaine Carneiro. Ela é presidente do Grupo Brasil Pneus e atua na Região Tocantina, baseada em Imperatriz. O anúncio oficial de seu nome foi realizado estrategicamente em abril
A estratégia consiste em lançar uma mulher sem trajetória política tradicional, com identidade cristã e perfil familiar consolidado. A decisão busca dialogar diretamente com setores conservadores e com o eleitorado feminino, duas parcelas consideradas decisivas na disputa estadual. Apesar da definição do perfil, a coordenação da pré-campanha mantém o nome sob absoluto sigilo, numa tentativa de evitar desgastes antecipados e preservar o impacto político do anúncio.
A opção de Braide por uma figura fora do meio político tradicional também reduz o espaço de negociação com partidos que desejam indicar quadros experientes para a vaga. Ao mesmo tempo, reforça a narrativa de renovação política que o prefeito pretende apresentar ao eleitorado.
Orlenas avalia possíveis nomes dentro da coligação
Na pré-candidatura do ex-secretário estadual Orleans Brandão (MDB), apontado como representante do grupo governista, o cenário é oposto. A vaga de vice se transformou no principal ativo político disponível para acomodar os interesses da ampla base aliada. Com uma coligação formada por onze partidos e dezenas de lideranças regionais, a definição do nome tornou-se uma das negociações mais delicadas da pré-campanha.
Escolha do vice vira peça-chave na sucessão estadual
Prefeitos, deputados estaduais e federais disputam influência no processo, enquanto dirigentes partidários pressionam para garantir espaço na chapa majoritária. Nos bastidores, a avaliação é de que qualquer escolha antecipada pode gerar insatisfações e até provocar reacomodações políticas. Por isso, a tendência é que a definição seja deixada para mais próximo das convenções partidárias, quando o grupo terá maior clareza sobre o cenário eleitoral.
Já a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) enfrenta um desafio diferente. Após consolidar o apoio da senadora Eliziane Gama para uma das vagas ao Senado, a construção da chapa passou a depender da capacidade de atrair partidos e lideranças alinhados ao campo progressista e aos movimentos sociais. A escolha do vice é considerada estratégica para ampliar o alcance político da candidatura e fortalecer a narrativa de oposição ao atual comando do Palácio dos Leões.
Aliados defendem que a vaga seja ocupada por um nome capaz de representar setores populares, movimentos sociais ou partidos de esquerda que aderiram ao projeto político após o rompimento entre Camarão e a base governista. O objetivo é fortalecer a identidade programática da candidatura sem comprometer a capacidade de diálogo com segmentos moderados do eleitorado.
Na Federação PSOL-Rede, que lançou o engenheiro florestal, Enilton Rodrigues como pré-candidato ao governo, a discussão ocorre em torno do equilíbrio interno entre as duas legendas. O perfil desejado é o de uma liderança identificada com pautas socioambientais, defesa dos direitos humanos e participação popular. Entretanto, a definição esbarra na necessidade de acomodar os interesses dos partidos federados.
De acordo com o que foi apurado pela equipe de O Imparcial, a vaga deve permanecer com um integrante do próprio PSOL que faz parte das correntes internas da legenda para a composição da chapa. A decisão deverá ocorrer de forma consensual para evitar desgastes internos durante a campanha.
No PSTU, que tem Saulo Arcangeli como pré-candidato ao governo, a escolha segue uma lógica distinta das demais candidaturas. O partido tradicionalmente rejeita alianças com legendas de maior porte e prioriza chapas compostas por militantes identificados com suas bandeiras ideológicas. Nesse contexto, o futuro vice-governador deverá ser um trabalhador assalariado, sindicalista ou liderança dos movimentos populares vinculados à CSP-Conlutas.
Embora o nome ainda não tenha sido anunciado, a expectativa é de que a definição ocorra internamente, sem interferência de negociações partidárias externas, preservando a linha política histórica da legenda.
As dificuldades para preencher as vagas de vice-governador refletem diferentes realidades eleitorais. Enquanto algumas candidaturas enfrentam excesso de interessados e disputas por espaço de poder, outras buscam nomes capazes de ampliar alianças ou reforçar identidades ideológicas. Em comum, todas as chapas reconhecem que a escolha do vice deixou de ser uma mera formalidade e passou a representar uma das decisões mais importantes da engenharia eleitoral para 2026.
A expectativa é que as definições avancem apenas nos meses que antecedem as convenções partidárias, quando os partidos precisarão transformar articulações de bastidores em candidaturas oficialmente registradas. Até lá, a disputa pelas vagas de vice-governador continuará sendo um dos principais capítulos do xadrez político maranhense.
A definição dos candidatos a vice-governador tem provocado intensas negociações entre os grupos políticos que disputarão o Governo do Maranhão em 2026. Paralelamente, a disputa pelas duas vagas ao Senado Federal tornou-se um dos principais elementos na formação das alianças eleitorais.
Análise da Notícia
No cenário político do Maranhão, a disputa pelo cargo de vice-governador segue em aberto e deve ser definida principalmente pelas alianças que serão formadas para as eleições de 2026. Mais do que uma escolha administrativa, a composição da vice costuma buscar equilíbrio entre regiões do estado, grupos políticos e partidos, visando ampliar a força eleitoral das chapas.
Com diferentes pré-candidatos ao governo se movimentando, a tendência é que o nome para vice seja escolhido com base na capacidade de agregar apoio político, influência municipal e representatividade regional. Dessa forma, o cargo deverá desempenhar papel estratégico na construção das principais candidaturas que disputarão o comando do estado.