Mortes no trânsito por álcool registram alta desde 2020



O Brasil registrou uma queda de 19,5% nas mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool entre 2010 e 2024. No entanto, o cenário atual preocupa especialistas: após uma trajetória de declínio constante até 2019, os números voltaram a subir a partir de 2020. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (19), data em que se celebra o Dia Nacional da Lei Seca, por meio de um levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa).

Perda de fôlego na fiscalização

Embora a Lei Seca continue sendo uma referência internacional para a redução de acidentes, especialistas notam uma perda de eficácia da legislação nos últimos anos. A coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, explica que o aumento da sofisticação para burlar a fiscalização, impulsionado pelo uso de aplicativos que alertam sobre blitze, contribuiu para o cenário. Além disso, prevalece na sociedade uma percepção de impunidade, que reduz o temor da fiscalização e facilita a reincidência de infrações, especialmente em finais de semana e madrugadas.

Perfil de risco e disparidades regionais

O levantamento destaca que homens jovens compõem o grupo de maior risco. Desde 2019, o consumo de álcool é identificado como fator determinante em 36,6% das ocorrências de trânsito envolvendo o público masculino, comparado a 26,3% entre as mulheres. A análise também revela disparidades regionais acentuadas: 18 estados brasileiros apresentam taxas de mortes por 100 mil habitantes superiores à média nacional de 6,2. O Tocantins lidera o ranking (13,4), seguido por Piauí (12,1) e Mato Grosso (11,1). Segundo o Cisa, fatores como infraestrutura precária das rodovias, menor densidade de fiscalização e dificuldade de acesso a serviços de emergência explicam essa discrepância.

Estratégias para mudança de comportamento

Para reverter a curva ascendente de mortes, o estudo defende que o poder público vá além das campanhas de choque, que baseiam-se apenas no medo e possuem efeito limitado a longo prazo. A recomendação é combinar educação e esclarecimento com o aumento real da percepção de punição. “A pessoa precisa acreditar que vai ser fiscalizada e que vai ser punida”, afirma Thibes. Outro ponto fundamental é a oferta de alternativas viáveis de mobilidade, como o transporte público noturno e acessível, facilitando que o cidadão evite a combinação perigosa entre bebida e direção.



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