Argentina – As autoridades da Argentina emitiram um alerta nacional após o furto de uma cápsula contendo Césio-137 de um centro médico na cidade de Rosário, localizada a cerca de 300 quilômetros da capital, Buenos Aires. O material radioativo desapareceu na última terça-feira (16) e era utilizado para a calibração de equipamentos de medicina nuclear.

(Foto: Divulgação | Autoridade Regulatória Nuclear (ARN) da Argentina)
A substância roubada é o mesmo elemento químico que causou o trágico acidente radiológico em Goiânia, em 1987 — considerado o maior do mundo fora de uma usina nuclear. Embora a Autoridade Reguladora Nuclear da Argentina classifique o risco radiológico atual como baixo, o governo orientou enfaticamente a população a não tocar e não manipular o objeto caso ele seja localizado.
Na tragédia brasileira, o contato com o pó brilhante do Césio-137 após a abertura forçada de um aparelho de radioterapia abandonado gerou uma contaminação em massa e deixou vítimas fatais.
Quais são os riscos da exposição?
O Césio-137 emite dois tipos de radiação: partículas beta e raios gama.
- Partículas Beta: Representam um perigo extremo caso o material seja ingerido, inalado ou entre no organismo por ferimentos.
- Raios Gama: Têm alto poder de penetração e podem causar danos graves à saúde mesmo sem haver contato físico com a substância.
O reflexo da durabilidade desse perigo é visto em solo brasileiro. Quase quatro décadas após o desastre na capital goiana, toneladas de rejeitos contaminados continuam isoladas em um repositório sob constante monitoramento.
Isso ocorre devido ao conceito de meia-vida do Césio-137, que é de aproximadamente 30 anos. Isso significa que a cada três décadas a radioatividade do elemento cai pela metade. Como se passaram pouco menos de 40 anos desde o caso de Goiânia, a atividade radioativa do lixo atômico ainda é considerada alta.
Cientificamente, um elemento radioativo só deixa de oferecer riscos após cerca de dez meias-vidas. No caso do Césio-137, o material precisará ser vigiado e controlado por um longo período de aproximadamente 300 anos antes de ser considerado totalmente inofensivo.