Uma parcela significativa dos crimes cometidos em Rio Branco nunca chega ao conhecimento das autoridades. É o que mostra a primeira Pesquisa de Vitimização da capital, que identificou um elevado índice de subnotificação em casos de violência interpessoal e microviolência.
Segundo o levantamento, 62,1% das vítimas desses delitos não registram Boletim de Ocorrência (BO), o que contribui para uma diferença entre os crimes efetivamente sofridos pela população e aqueles que aparecem nas estatísticas oficiais.
O estudo foi realizado entre 24 de fevereiro e 6 de abril de 2026 pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), com 800 entrevistas presenciais. A pesquisa possui margem de erro de 3,5 pontos percentuais e foi contratada pela Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio da Fundape.
Ameaças estão entre os crimes mais frequentes
Entre os dados que mais chamam atenção está a incidência de ameaças de agressão física.
De acordo com a pesquisa, 7,1% dos moradores de Rio Branco sofreram esse tipo de intimidação nos últimos 12 meses. Apesar da frequência, mais de 13,3 mil pessoas atingidas por esse crime decidiram não procurar a polícia para formalizar denúncia.
O levantamento aponta que as ameaças de agressão física figuram entre as ocorrências mais recorrentes do cotidiano da população, embora grande parte dos casos permaneça fora dos registros oficiais.
Sete em cada dez vítimas de ameaça de morte não denunciam
O cenário de subnotificação também aparece nos casos de ameaça de morte.
Segundo a pesquisa, 5% da população da capital relatou ter sido vítima desse tipo de crime nos últimos 12 meses. No entanto, 70% das pessoas que sofreram a intimidação optaram por não registrar ocorrência.
Os entrevistados apontaram como principal motivo a falta de confiança na capacidade do sistema de Justiça e das instituições de segurança de produzir resultados efetivos após a denúncia.
A percepção de que os agressores não serão responsabilizados ou punidos aparece entre as justificativas mais frequentes para a ausência de registros policiais.
Ameaças superam agressões consumadas
Os dados também mostram que as ameaças ocorrem com frequência superior à violência física efetivamente consumada.
Enquanto 2,9% dos moradores relataram ter sofrido agressão física, os índices de ameaças de agressão física chegaram a 7,1% e os de ameaça de morte alcançaram 5%.
A pesquisa destaca que, embora recebam menor atenção pública, os crimes de ameaça produzem impactos relevantes na vida das vítimas, influenciando a saúde mental, a sensação de segurança e a rotina diária.
Armas de fogo agravam cenário
Outro aspecto identificado pelo estudo é a presença de armas de fogo durante as ameaças.
Na área urbana de Rio Branco, os agressores estavam armados em 17,5% dos episódios de ameaça de agressão física.
Na zona rural, o percentual é ainda mais elevado. Em um terço dos casos registrados, equivalente a 33,3%, os autores das ameaças portavam armas de fogo.
Segundo a pesquisa, o dado evidencia um cenário de maior vulnerabilidade para moradores das regiões rurais, onde o isolamento geográfico pode dificultar o acesso à proteção e aos serviços de segurança pública.