Prosa e Pesquisa: Professor Josué destaca desafios da formação docente e defende educação conectada à realidade amazônica



A formação de professores na Amazônia, os desafios da educação contemporânea e a importância da pesquisa científica foram os temas centrais da entrevista concedida pelo professor Dr. Josué, pró-reitor de Graduação da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), ao programa Prosa e Pesquisa. Durante a conversa, o educador compartilhou sua trajetória acadêmica e profissional, além de apresentar reflexões sobre os caminhos necessários para fortalecer a formação docente na região amazônica.

Com formação em Educação Física, Direito e Pedagogia, além de mestrado e doutorado em Educação, Josué destacou que sua trajetória multidisciplinar contribuiu para ampliar a compreensão sobre os desafios da docência e da formação profissional.

Segundo ele, a educação precisa ser pensada de forma integrada, considerando não apenas o domínio dos conteúdos, mas também a capacidade de ensinar, dialogar com diferentes contextos sociais e compreender as transformações da sociedade contemporânea.

Formação docente vai além do conhecimento técnico

Ao longo da entrevista, o professor enfatizou que ser docente exige uma combinação de saberes que ultrapassa o simples domínio de uma disciplina.

Para ele, existe uma percepção equivocada de que qualquer profissional com conhecimento em determinada área pode assumir uma sala de aula sem preparação específica.

Josué ressaltou que ensinar exige competências pedagógicas, metodológicas e humanas, além da capacidade de compreender os processos de aprendizagem.

“A docência é uma profissão que requer formação específica, conhecimentos didáticos e constante aperfeiçoamento”, destacou durante a entrevista.

A valorização da profissão docente

Outro tema abordado foi a necessidade de maior valorização social da carreira docente.

O pesquisador observou que todas as profissões passam pela atuação de um professor, tornando a educação um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento da sociedade.

Na avaliação do entrevistado, ainda existem desafios relacionados ao reconhecimento profissional dos educadores, especialmente diante das transformações sociais e tecnológicas vivenciadas nos últimos anos.

Ele defendeu políticas que fortaleçam a formação inicial e continuada dos professores, contribuindo para melhorar a qualidade do ensino em todos os níveis.

Pesquisas investigam a formação de professores

Durante a conversa, Josué apresentou parte das pesquisas que desenvolve na área da educação.

Os estudos concentram-se principalmente na formação inicial de professores, nos estágios curriculares supervisionados e na relação entre universidade e escola.

Segundo ele, um dos principais objetivos das pesquisas é compreender como ocorre a transição entre a formação acadêmica e a prática profissional.

Ao longo dos anos, o pesquisador analisou cursos de licenciatura, currículos acadêmicos e programas de estágio, buscando identificar fatores que contribuem para o fortalecimento da profissão docente.

Entre os temas estudados estão a formação de professores de Educação Física, Pedagogia, Letras e outras licenciaturas presentes na região amazônica.

Os desafios da formação de professores na Amazônia

Um dos pontos mais relevantes da entrevista foi a discussão sobre as especificidades da educação amazônica.

De acordo com Josué, a realidade da região exige que os cursos de licenciatura considerem aspectos culturais, sociais e geográficos próprios da Amazônia.

Ele destacou a existência de escolas urbanas, rurais, ribeirinhas, quilombolas e indígenas, cada uma com características específicas que demandam abordagens diferenciadas.

Para o professor, é fundamental que a formação docente prepare profissionais capazes de compreender essas realidades e desenvolver práticas pedagógicas adequadas aos diferentes contextos.

“A Amazônia possui características únicas e a formação dos professores precisa dialogar com essas especificidades”, afirmou.

UNIR amplia ações voltadas à formação regional

Durante a entrevista, o pró-reitor ressaltou iniciativas desenvolvidas pela Universidade Federal de Rondônia para atender às demandas educacionais da região.

Entre elas estão cursos voltados para a educação do campo e para a formação intercultural indígena, programas que buscam preparar profissionais para atuar em contextos específicos da Amazônia.

Atualmente, a UNIR conta com dezenas de cursos de graduação distribuídos em diferentes campi do estado, além de programas de pós-graduação voltados à pesquisa e à formação de novos pesquisadores.

Inteligência artificial surge como novo desafio para a educação

A entrevista também abordou o avanço das tecnologias digitais e da inteligência artificial no ambiente educacional.

Para Josué, a IA representa uma ferramenta com grande potencial para contribuir com os processos de ensino e aprendizagem, desde que utilizada de forma ética e responsável.

Ele alertou, no entanto, para a necessidade de evitar a dependência excessiva dessas ferramentas, preservando a capacidade de reflexão, escrita, interpretação e produção de conhecimento por parte dos estudantes.

Segundo o pesquisador, universidades e instituições de ensino precisam desenvolver estratégias para integrar as novas tecnologias sem comprometer a formação crítica dos alunos.

Pesquisa científica como instrumento de transformação

Ao encerrar a entrevista, o professor reforçou a importância da pesquisa científica para o desenvolvimento da educação e da sociedade.

Ele destacou que a produção acadêmica permite identificar desafios, propor soluções e contribuir para a melhoria das práticas educacionais.

Além disso, convidou estudantes e profissionais interessados em aprofundar seus conhecimentos a buscarem oportunidades de formação e pesquisa na Universidade Federal de Rondônia.

Para Josué, investir em educação, pesquisa e formação profissional continua sendo um dos caminhos mais seguros para promover o desenvolvimento social e econômico da Amazônia.



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