Como fica a chapa do MDB caso partido deixe aliança com Mailza?

Sede do MDB em Rio Branco. — Foto: Reprodução

A crise interna do MDB entre a governadora Mailza Assis e o senador Alan Rick deixou de ser apenas uma disputa sobre qual palanque apoiar em 2026. A decisão do partido passou a atingir diretamente nomes que hoje integram a própria estrutura política do governo.

Nos últimos meses, quando a aliança com Mailza era tratada como praticamente certa, o MDB se transformou em destino de diversos aliados da governadora que aproveitaram a janela partidária para disputar as eleições deste ano.

A legenda, que na eleição passada não elegeu deputado federal e manteve apenas três cadeiras na Assembleia Legislativa, recebeu nomes importantes da base governista. Entre eles estão os deputados estaduais Pedro Longo e Luiz Gonzaga, ambos defensores frequentes das gestões de Mailza Assis e Gladson Cameli.

Também se filiaram ao partido Minoru Kinpara, ex-presidente da Fundação Elias Mansour, a deputada federal Antônia Lúcia, que nas últimas semanas tem aparecido ao lado da governadora em agendas pelo estado, além do ex-secretário de Educação Aberson Carvalho, hoje um dos coordenadores da pré-campanha de Mailza. aso o MDB decida seguir com Alan Rick, todos esses nomes ficarão em uma situação desconfortável

Caso o MDB decida seguir com Alan Rick, todos esses nomes ficarão em uma situação desconfortável. Como ingressaram na legenda durante a janela partidária e as convenções estão próximas, uma nova mudança de partido poderia inviabilizar as candidaturas.

Na prática, terão de permanecer em uma sigla que poderá apoiar um adversário da candidata que ajudaram a fortalecer.

A parte de Mailza foi feita

Mailza entregou ao MDB exatamente o que havia sido combinado.

A governadora ajudou a montar uma chapa competitiva para deputado estadual e federal, abrindo espaço para que o partido se fortalecesse depois de uma eleição em que saiu das urnas sem deputado federal e com apenas três cadeiras na Assembleia Legislativa.

O entendimento era simples: Mailza trabalharia para fortalecer o MDB nas proporcionais e, em troca, a legenda permaneceria na aliança e indicaria o vice da chapa.

Por isso, uma eventual mudança de rumo do partido deixaria uma pergunta inevitável no ar: se não era esse o acordo, por que tantos aliados do governo foram levados para dentro do MDB?

Contagem regressiva

O relógio começou a correr para o MDB.

A legenda teria até domingo para comunicar sua decisão definitiva a Mailza Assis. O prazo de 72 horas seria a última tentativa de encerrar uma crise que já se arrasta há semanas.

A partir daí, não haverá mais espaço para meio-termo. Se optar por Alan Rick, o MDB terá de explicar como pretende conviver com uma chapa recheada de nomes que foram para o partido apostando justamente na permanência da aliança com o governo.

E, principalmente, terá de explicar por que passou meses construindo um projeto para, na reta final, decidir atravessar a rua.

Alan observa em silêncio

Enquanto o MDB segue dividido, Alan Rick evita elevar o tom. O senador sabe que qualquer movimento mais brusco pode afastar justamente os emedebistas que hoje ainda resistem a romper com o governo.

Quem embarcou, embarcou

Entre os políticos que entraram no MDB durante a janela partidária, há quem admita reservadamente que uma mudança de rota do partido seria um enorme problema. Afinal, muitos fizeram a escolha imaginando um cenário completamente diferente do atual.

O peso de Gladson

Mesmo sem ser candidato ao governo, Gladson Cameli continua sendo peça importante nas conversas para 2026. Qualquer decisão envolvendo Mailza, MDB e aliados passa, inevitavelmente, pela influência política do ex-governador.

Conta que chega depois

Caso o MDB decida apoiar Alan Rick, a conta política não será cobrada imediatamente. Mas ela tende a aparecer depois das convenções, quando candidatos que apostaram no partido começarem a medir os prejuízos da decisão.

Ninguém quer ser o responsável

Dentro do MDB, poucos querem carregar a marca de ter provocado uma ruptura com o governo. Se houver rompimento, a tendência é que todos tentem dividir igualmente o desgaste da decisão.

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