Lula rebate Trump e pede que ele “não se meta nas eleições do Brasil”


Genebra (Suíça) – O presidente Lula rebateu, nesta quarta-feira (17/6), declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou o cenário político brasileiro após o julgamento do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Em entrevista coletiva em Genebra, após sua participação na reunião do G7, Lula afirmou que Trump “não tem o direito” de se meter nas eleições brasileiras, independentemente de suas preferências eleitorais.

“Eu acho que ele tem o direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Eu só espero que ele não fira o Código de Ética entre as nações que querem ser respeitadas em sua soberania. Só espero isso. Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, disse Lula.

A fala do presidente brasileiro veio após Trump afirmar, também em entrevista coletiva após o G7, que o Brasil “está meio desagradável” e criticar a condenação de Eduardo Bolsonaro, confundindo-o com Flávio Bolsonaro, apontado como possível candidato à Presidência da República.

“Ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Eles agem com bastante dureza. Mas ninguém age com mais dureza do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente fraudadas”, declarou o presidente norte-americano.

“Aprender com o Brasil”

Lula também afirmou que Trump deveria “aprender” com o Brasil a realizar eleições “mais tranquilas”. O presidente voltou a defender o sistema de votação por urnas eletrônicas, como já havia feito mais cedo em conversa vazada.

“Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil a fazer eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país no mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que, duas horas após o encerramento da votação, a gente já sabe o resultado nos 27 estados da Federação. Já sabe quem é o presidente eleito, quem são os governadores, os senadores e os deputados. A gente não fica no século passado, com voto em papel. Uma lista com 500 nomes, a gente não fica. Então, se tem alguém que precisa aprender com as eleições civilizadas do Brasil, é o meu amigo Trump”, afirmou Lula.

Por: Metrópoles



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