
A terceira edição do Empretec para Refugiados aconteceu durante o mês de junho em Boa Vista. Promovido pelo Sebrae Roraima em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), o seminário reuniu refugiados e migrantes interessados em desenvolver habilidades empreendedoras e aprimorar a gestão dos próprios negócios.
A programação durou uma semana e contou com atividades práticas voltadas ao desenvolvimento de competências como liderança, iniciativa, planejamento, persistência e tomada de decisão. Nesta edição, a metodologia também trouxe uma abordagem mais voltada à tecnologia e à sustentabilidade.
O Empretec é uma das principais metodologias de desenvolvimento do comportamento empreendedor no mundo, reconhecida por trabalhar características essenciais para quem deseja empreender ou fortalecer seu negócio. Mais do que ensinar técnicas de gestão, o seminário promove uma transformação comportamental, estimulando atitudes como iniciativa, persistência, planejamento, comprometimento e busca por oportunidades.
Conforme a gestora do Empretec em Roraima, Núbia Ribeiro, o Sebrae promove turmas direcionadas aos refugiados, contribuindo para o fortalecimento da autonomia econômica e da integração social desse público por meio do empreendedorismo.
“A iniciativa é realizada em parceria com a Acnur e representa uma importante ação de apoio às pessoas que buscam reconstruir suas vidas, gerar oportunidades e desenvolver seus projetos profissionais no estado. Por meio do Empretec, os participantes têm acesso a uma experiência intensa de autoconhecimento e desenvolvimento de habilidades empreendedoras, ampliando suas perspectivas de crescimento pessoal e profissional”, disse.
Nesta edição, a turma contou com 21 participantes, entre empreendedores e pessoas que desejam iniciar sua jornada no empreendedorismo. Ao investir no desenvolvimento dessas competências. “O Sebrae reforça seu compromisso com a inclusão, o fortalecimento dos pequenos negócios e a promoção de oportunidades para todos, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, produtiva e acolhedora”, finalizou.
O facilitador Jeancarlo Kohler explica que o Empretec passou por atualizações sem perder a essência que tornou o seminário uma referência mundial em empreendedorismo.
“O objetivo é despertar a mentalidade empreendedora para que os participantes possam enxergar novas possibilidades para seus negócios e para suas vidas”, afirmou.
Antes da etapa presencial, os participantes passaram por um pré-seminário realizado de forma online. Segundo Kohler, a preparação antecipada permite que os empreendedores cheguem à imersão com informações e análises que serão aprofundadas ao longo da semana.
“O Empretec continua com a mesma força metodológica. O pré-seminário foi criado para preparar os participantes e potencializar a experiência durante os cinco dias de atividades”, destacou.
Parceria voltada à integração e autonomia
A assistente de Soluções Duradouras da Acnur, Luana Trindade, explica que a iniciativa surgiu a partir da demanda de refugiados interessados em aprofundar conhecimentos sobre empreendedorismo.
Segundo ela, a parceria entre as instituições tem contribuído para ampliar o acesso desse público a capacitações e oportunidades de geração de renda.
“Essa é a nossa terceira edição do Empretec para Refugiados. O Sebrae é um parceiro de longa data da Acnur e tem sido fundamental para aproximar refugiados de serviços e capacitações que contribuem para a integração dessas pessoas no Brasil”, disse.
Para o diretor-superintendente do Sebrae Roraima, Emerson Baú, o empreendedorismo é uma ferramenta importante para promover autonomia financeira e inclusão social.
“Empreender é buscar soluções, independentemente da nacionalidade ou de onde a pessoa esteja. Com o Empretec, queremos fortalecer comportamentos empreendedores para que essas pessoas possam gerar renda, sustentar suas famílias e contribuir para o desenvolvimento da sociedade”, afirmou.
Refugiadas apostam na qualificação para tirar projetos do papel
Entre os participantes está a venezuelana Yuiris Castillo, que chegou ao Brasil há dois anos. Atualmente, ela cursa mestrado em Comunicação e desenvolve pesquisas relacionadas ao empreendedorismo em contextos interculturais.
Para ela, participar do seminário representa uma oportunidade de conhecer mais de perto a realidade dos empreendedores migrantes e, ao mesmo tempo, adquirir conhecimentos para futuros projetos.
“Meu sonho sempre foi empreender. Quando surgiu a oportunidade de participar do Empretec, fiquei muito feliz porque o tema tem relação direta com a minha pesquisa e com os meus objetivos pessoais”, contou.
Outra participante é a estudante de Jornalismo Yusnellis Alejandra, que vive no Brasil há cerca de cinco anos. Interessada em iniciar um negócio próprio, ela vê o Empretec como uma oportunidade para transformar ideias em ações concretas.
“Sempre tive vontade de empreender e procurava entender quais necessidades eu poderia atender por meio de um negócio. Quando recebi a indicação para participar do curso, aceitei na hora. Minha expectativa é aprender bastante e colocar esse conhecimento em prática”, disse.
Ao longo da semana, os participantes foram desafiados a refletir sobre comportamentos, identificar oportunidades e desenvolver estratégias para seus empreendimentos. Ao final da imersão, eles saem mais preparados para enfrentar os desafios do mercado e ampliar suas possibilidades de geração de renda.