Pobreza nas metrópoles brasileiras atinge menor nível histórico


As regiões metropolitanas do Brasil registraram uma queda expressiva nos indicadores de pobreza nos últimos cinco anos. Segundo o boletim “Desigualdade nas Metrópoles”, divulgado recentemente, a taxa de pobreza nessas áreas atingiu 18,4% em 2025, consolidando o menor valor da série histórica iniciada em 2012. O levantamento, fruto de parceria entre o Observatório das Metrópoles, a RedODSAL e a PUC-RS, destaca que mais de 10 milhões de pessoas superaram a condição de vulnerabilidade econômica no período.

Fatores de mudança e renda recorde
A melhora no cenário é atribuída, primordialmente, à dinâmica do mercado de trabalho. De acordo com o pesquisador Marcelo Ribeiro, da UFRJ, o aumento da oferta de ocupações e o incremento do rendimento do trabalho foram os principais motores da ascensão social. Paralelamente, a renda média domiciliar per capita nas metrópoles alcançou o patamar recorde de R$ 2.766. O estudo pontua que a redução da pobreza não está atrelada a programas de transferência de renda, que mantiveram valores estáveis desde 2023, mas sim à maior inserção e remuneração dos trabalhadores na economia.

O abismo da desigualdade persistente

Apesar da queda na pobreza, o país ainda enfrenta disparidades estruturais severas. O Índice de Gini, que mede a concentração de renda, situou-se em 0,511 em 2025. O abismo é evidenciado pela razão entre as classes sociais: os 10% mais ricos da população metropolitana ganham, em média, 16,1 vezes mais do que os 40% mais pobres.

Para o especialista, a perpetuação dessa desigualdade decorre de dois fatores principais:

Mercado de trabalho segmentado: O topo da pirâmide detém as ocupações de maior remuneração, geralmente associadas a níveis mais elevados de escolaridade.

Rendimentos financeiros: O período de taxas de juros elevadas beneficiou desproporcionalmente os estratos mais ricos, que possuem capacidade de realizar aplicações financeiras, elevando sua renda em ritmo superior ao da base da pirâmide.

Disparidades regionais

O estudo reforça que o mapa da desigualdade no Brasil segue contornos geográficos nítidos. As regiões metropolitanas do Norte e Nordeste concentram as maiores taxas de pobreza, enquanto o Distrito Federal lidera o ranking de renda, com R$ 4.401 per capita mensais — valor quase três vezes superior ao registrado na grande São Luís (R$ 1.616). O levantamento abrange 22 regiões metropolitanas, compostas por cerca de 300 cidades, onde reside 40% da população brasileira, evidenciando que, embora o país avance na redução da miséria, a desigualdade socioeconômica permanece como um desafio crônico da realidade urbana nacional.

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