Namoros com “patrocínio” crescem no Brasil e atraem milhões de solteiros



O aumento do número de solteiros no Brasil tem impulsionado novas formas de relacionamento, entre elas os chamados relacionamentos com benefícios ou de “patrocínio”, baseados em acordos claros, alinhamento de expectativas e objetivos em comum. Dados recentes mostram que esse modelo vem ganhando espaço em diferentes regiões do país, especialmente entre pessoas que buscam conexões consideradas mais práticas e transparentes.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil reúne atualmente cerca de 81 milhões de solteiros, número superior aos aproximadamente 63 milhões de casados. O movimento acompanha uma tendência global. De acordo com a consultoria Euromonitor International, os solteiros já superam os casados na América do Norte e na Europa, e a expectativa é de que esse grupo cresça mais de 20% em todo o mundo até 2040.

Nesse contexto, cresce o interesse por formatos de relacionamento que priorizam autonomia e definição prévia de expectativas. Um dos modelos que tem ganhado visibilidade é a hipergamia, caracterizada pela busca de parceiros que possam proporcionar compatibilidade de estilo de vida, estabilidade e objetivos alinhados.

“Hoje, muitas mulheres analisam diferentes aspectos antes de iniciar um relacionamento. Não se trata apenas de afinidade emocional, mas também de qualidade de vida, segurança e perspectivas para o futuro”, afirma Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio.

Estados lideram interesse por relacionamentos mais objetivos

Levantamento realizado pelo MeuPatrocínio aponta que São Paulo concentra o maior número de usuários cadastrados na plataforma, com mais de 5 milhões de perfis ativos. O estado lidera o ranking nacional, refletindo o perfil de uma população urbana que valoriza praticidade e experiências alinhadas ao seu estilo de vida.

Na sequência aparece o Rio de Janeiro, com mais de 2 milhões de usuários. Segundo a plataforma, o estado registra crescimento consistente de pessoas que associam relacionamentos à busca por estabilidade emocional, financeira e bem-estar.

Santa Catarina também se destaca no levantamento, com quase 1 milhão de usuários e um dos maiores índices de novos cadastros. O crescimento é atribuído a um público interessado em relações com menos burocracia e maior clareza quanto às expectativas.

Mudanças de comportamento impulsionam tendência

Especialistas apontam que o avanço desses modelos está relacionado às transformações no comportamento afetivo da sociedade. Entre os fatores estão o desgaste com relacionamentos considerados tradicionais, o aumento da valorização da saúde mental e a busca por relações mais transparentes.

“A nova geração demonstra maior preocupação com responsabilidade emocional e comunicação clara. Isso tem levado muitas pessoas a optarem por modelos de relacionamento mais diretos e alinhados aos seus objetivos pessoais”, explica Bittencourt.

Segundo ele, homens mais maduros também têm buscado esse tipo de conexão após experiências anteriores consideradas desgastantes. “Muitos procuram relações mais leves, sem jogos emocionais, enquanto valorizam a companhia de mulheres independentes e determinadas”, conclui.



VER NA FONTE