Quase um mês após a apreensão de um caminhão que transportava lhamas em situação irregular no Acre, a Justiça determinou que o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizem uma avaliação clínica e sanitária dos animais e apresentem um relatório técnico detalhado sobre as condições do rebanho.
Conforme a determinação judicial, os órgãos deverão encaminhar ao juízo, no prazo de cinco dias, um laudo atualizado informando o número atual de animais vivos, o estado clínico do rebanho, a existência de exemplares doentes ou debilitados e as condições de alojamento, alimentação, hidratação, manejo e cuidados prestados aos animais.
O relatório também deverá apontar a necessidade de vacinação, tratamentos veterinários, exames laboratoriais, quarentena, isolamento ou outras medidas sanitárias consideradas necessárias. A Justiça ainda quer saber se existe algum risco à saúde animal, ao rebanho local ou à defesa sanitária agropecuária do estado.
ONG aguarda decisão sobre destino dos animais
Enquanto o processo segue em tramitação, as lhamas continuam sob responsabilidade da ONG Patinha Carente. Ao ContilNet, a presidente da entidade, Vanessa Facundes, informou que os animais seguem recebendo cuidados diários enquanto aguardam uma definição judicial.
“Estão bem, estão conosco ainda, aguardando a decisão judicial”, afirmou.
Segundo Vanessa, o homem que se apresenta como proprietário dos animais já ingressou na Justiça pedindo a devolução do rebanho. “Ele quer de volta, pediu para o juiz”, relatou.
A presidente da ONG informou ainda que busca judicialmente que o responsável pelos animais arque com os custos gerados desde a apreensão. “Estou pleiteando judicialmente que o proprietário custeie o que elas precisam. São muitos gastos”, destacou.
Alimentação especial e preocupação sanitária
Desde que assumiu a guarda das lhamas, a ONG precisou adaptar um espaço para receber os animais. Segundo Vanessa, foi construída uma área coberta para garantir melhores condições de abrigo.
“Estão em uma parte coberta que construímos e elas têm comido soja, xerém junto com os capins triturados”, explicou. Apesar da recuperação gradual, a entidade demonstra preocupação com a necessidade de adoção de medidas sanitárias mais amplas para garantir a saúde do rebanho.
“Precisamos que o juiz decida logo porque tem que vaciná-las. Já vermifugamos”, afirmou.
De acordo com Vanessa, a advogada da ONG já relatou nos autos do processo as dificuldades enfrentadas pela instituição para manter os cuidados necessários aos animais, incluindo custos com alimentação, estrutura e acompanhamento veterinário.
Três lhamas morreram após o resgate
O caso ganhou repercussão em maio, quando um caminhão foi interceptado durante uma ação conjunta da Polícia Federal e da Receita Estadual na região do Posto Fiscal Tucandeira. Os ocupantes do veículo não apresentaram documentos obrigatórios para o transporte dos animais, como a Guia de Trânsito Animal (GTA) e nota fiscal.
Após a apreensão, as lhamas foram encaminhadas à ONG Patinha Carente. No entanto, três delas não resistiram e morreram pouco tempo depois.
Na ocasião, Vanessa relatou que alguns animais já apresentavam quadro grave quando chegaram ao abrigo.
“A noite a gente nem dormiu, passou a noite olhando. Aquela primeira morreu ainda de noite. De manhã fomos olhar novamente e a outra que estava caída também morreu”, contou à reportagem.
As lhamas são animais originários da região andina da América do Sul e não fazem parte da fauna comum brasileira. O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades, que investigam possíveis irregularidades no transporte e eventuais maus-tratos.