O uso da duplicidade – Folha BV



“Quando o povo desperta e manifesta sua força e sua majestade, o que acontece uma vez em séculos, tudo dobra diante dele. O despotismo estende-se no chão e simula a morte, tal um animal covarde e feroz diante do leão. Contudo, não demora em levantar-se e aproximar-se do povo com maneiras carinhosas. Usa a duplicidade em vez da força”. (Robespierre)

Já falei pra você do dia em que estávamos comento um churrasco com o Jânio Quadros. Estávamos na residência do Vereador Tarcílio Bernardo, no Bairro São Miguel Paulista, em São Paulo. Já contei pra você, mas vamos repetir. Tudo faz parte do nosso desenvolvimento. As coisas mudam, mas sempre no barco da repetição. O pessoal, no churrasco, não suportava o Adhemar de Barros. E foi aí que a jiripoca piou. Alguém, talvez propositadamente, começou a falar sobre o Adhemar. A arenga, em forma de discussão foi tomando volume e se tornando politicagem. Enquanto meu pai se metia na barulhada, eu estava na sala, sentado no sofá, conversando com minha colega, filha do Vereador. De repente, e eu acho que foi uma saída pela tangente, o Deputado Emílio Carlos, estava saindo e passando pela sala. Ele foi até mim, pôs a mão no meu ombro e falou ao meu ouvido: “São briguinhas comadrescas, Afonso”. Sorri e concordei.

Mais de sete décadas já se passaram desde o acontecimento. Mas, o momento, o motivo, as coisas que rolaram por lá, nunca me saíram nem sairão de minha memória. Desde minha infância vivi sempre no meio do ambiente que sempre me apaixonou, que foi, e é, a política. E por isso não me meto nela. Continuo amando-a e respeitando-a como ela realmente é. Tive vários contatos com o Café Filho, quando ele saía pelas ruas de Natal, preparando-se para se apresentar como candidato à vice-Presidência. Nunca esquecerei aquele chapéu e aquele terno branco passando pela rua. E, claro, sempre havia uma parada na calçada da loja onde eu trabalhava, para um papo curto. Curto, mais valioso. E tudo isso faz parte da política. O que devemos é pensar nisso, e ver que a política é indispensável para o nosso desenvolvimento.

Mantenha seus contatos com os políticos, sempre na observação. E esta deve ser responsável. Afinal, devemos entender que política não se discute, se faz. E tudo que fazemos em nossas vidas deve ser feito da melhor maneira que pudermos fazer. Seja responsável no seu voto. Analise seu candidato, mas, politicamente. Vamos nos educar com respeito e sinceridade à política. Veja o que interessa para você, na política, mas para o bem da sociedade. Sinta-se responsável pelo seu voto e vá sempre em frente. Pense nisso.

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