A ansiedade infantil tem se tornado uma preocupação crescente entre famílias, escolas e profissionais de saúde. Embora sentir medo, insegurança ou preocupação faça parte do desenvolvimento, especialistas alertam que alguns sinais podem indicar que a criança está enfrentando um sofrimento emocional mais intenso e persistente.
Quando não identificada precocemente, a ansiedade na infância pode impactar o aprendizado, o sono, as relações sociais e até mesmo a saúde física. Por isso, reconhecer os sintomas e buscar ajuda especializada quando necessário é fundamental para garantir o bem-estar dos pequenos.
Mudanças no comportamento exigem atenção
Os primeiros sinais de ansiedade infantil costumam aparecer em alterações no comportamento. A criança pode demonstrar irritabilidade, choro frequente, medo excessivo de errar, necessidade constante de confirmação dos pais ou dificuldade para lidar com mudanças na rotina.
Segundo a pediatra Ana Maria Melo, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, é importante observar quando essas manifestações passam a interferir na vida cotidiana.
“A intensidade, duração, frequência e impacto dos sintomas são os principais fatores que diferenciam uma preocupação normal de um quadro que merece avaliação profissional”, explica.
Além disso, algumas crianças passam a evitar situações sociais, apresentam dificuldades para fazer amizades ou demonstram resistência para frequentar a escola, comportamentos que podem estar relacionados à ansiedade.
Sintomas físicos também podem ser um alerta
Nem sempre a ansiedade infantil se manifesta de forma clara. Muitas vezes, os sinais aparecem por meio de sintomas físicos que, à primeira vista, parecem não ter relação com questões emocionais.
Dores de barriga recorrentes, náuseas, alterações no sono, dores de cabeça, tensão muscular e mudanças no apetite estão entre as queixas mais comuns. Por isso, especialistas recomendam uma avaliação médica para descartar possíveis causas orgânicas antes de associar os sintomas ao sofrimento emocional.
Para a psicopedagoga Aline Brito, do Colégio Sigma, em Brasília, os responsáveis devem observar o conjunto de sinais apresentados pela criança.
“Quando as preocupações se tornam frequentes e começam a interferir na aprendizagem, no bem-estar e nas relações sociais, é importante olhar para a situação com mais atenção”, destaca.
Quando procurar ajuda especializada
Especialistas ressaltam que a ansiedade infantil deve ser acompanhada quando os sintomas persistem por semanas ou meses, causam sofrimento significativo ou prejudicam atividades importantes do dia a dia.
O impacto pode ser percebido no rendimento escolar, na socialização, no sono, na alimentação e até mesmo nas brincadeiras, que costumam ser fundamentais para o desenvolvimento saudável da criança.
A psiquiatra infantil Juliana Bastos, do Hospital Vitória, no Rio de Janeiro, alerta que muitos comportamentos acabam sendo interpretados de forma equivocada pelos adultos.
“Uma criança ansiosa pode parecer desobediente ou dramática, quando, na verdade, está tentando evitar algo que percebe como ameaçador”, afirma.
Segundo a especialista, fatores como excesso de atividades, pressão por desempenho, bullying, dificuldades de aprendizagem, privação de sono e uso excessivo de telas podem contribuir para o aumento dos sintomas. Nesses casos, o acompanhamento profissional ajuda a criança a compreender suas emoções e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com desafios e inseguranças.
Identificar precocemente a ansiedade infantil permite que a criança receba apoio adequado, fortalecendo sua saúde emocional e reduzindo os impactos do problema ao longo da vida.
Por: Metrópoles