Delegada: acusado estuprou, matou e queimou mulher ainda viva


A delegada Jéssica Assis, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que a dona de casa Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, foi estuprada, espancada e teve o corpo incendiado enquanto ainda estava viva. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (9).

É um caso revoltante, é um caso chocante. […] Tratam o corpo feminino, a mulher com tamanho desprezo, com tamanha crueldade

 

O principal suspeito do crime foi identificado pela Polícia como Gabryel Junio de Almeida Dirceu, de 20 anos. Ele foi preso nesta segunda-feira (8), em Cuiabá, após uma força-tarefa que mobilizou mais de 20 policiais.

 

Josivany foi encontrada morta na manhã do dia 1º de junho, em uma área de mata no bairro Centro-Sul, em Várzea Grande. O corpo estava carbonizado e foi localizado pelo Corpo de Bombeiros durante o atendimento de uma ocorrência de incêndio.

 

Segundo a delegada, as investigações descartaram qualquer relação anterior entre a vítima e o suspeito. Os dois teriam se conhecido na noite anterior ao crime, em uma praça da região central de Várzea Grande. Na ocasião, teriam combinado um programa sexual em troca de dinheiro e drogas.

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Os dois seguiram para uma residência abandonada, onde consumiram entorpecentes. Em determinado momento, porém, Josivany desistiu de manter a relação sexual.

 

“A vítima se arrependeu, consumiu substâncias entorpecentes com ele numa residência abandonada na região central e depois falou que não queria mais”, afirmou.

 

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Gabryel empurrou a vítima em direção a uma área de mata.

 

“É o momento que aparece nas filmagens que nós capturamos na rua dos fatos, em que ele vai empurrando ela para a região do mato. Na versão dele, a vítima o atacou com uma faca que estaria dentro da bolsa dela”, explicou a delegada.

Reprodução

Josivany Borges e Gabryel Junio

Josivany Borges, que foi morta por Gabryel Junio

 

“E ele admite que a empurrou em direção ao mato diante da discordância dela em praticar o ato sexual. Ele fala: ‘Não, agora você vai. Você já consumiu a droga, eu já te paguei’. É mais um caso em que vemos uma completa e total objetificação do corpo da mulher, o descarte da autonomia de vontade do corpo feminino em relação ao que quer ou não fazer. Por esse motivo, ele foi autuado pelo crime de feminicídio”, completou.

 

Estupro e espancamento

 

Em depoimento, Gabryel afirmou que chegou a manter relação sexual com a vítima e alegou que ela o atacou com uma faca durante o ato.

 

A delegada destacou que o próprio suspeito admitiu que Josivany havia manifestado que não queria mais manter relações, o que reforça a hipótese de violência sexual.

 

“Como é que ele pode alegar, perante a autoridade policial, uma versão de que houve uma relação sexual consentida se a vítima disse que não? Esse argumento reforça ainda mais a versão do feminicídio e lança uma luz muito grande sobre quão grotesca foi toda a atuação dele”, afirmou.

 

Segundo a delegada, o suspeito confessou que matou a vítima usando pedras, atingindo principalmente a região da cabeça. O laudo pericial inicial apontou morte por traumatismo craniano.

 

O suspeito apresentava lesões no pescoço quando foi localizado, mas a Polícia investiga se os ferimentos foram causados por uma eventual reação da vítima durante as agressões.

 

“Nós não sabemos se foi realmente por conta desse evento ou se a vítima conseguiu empregar uma legítima defesa diante da situação”, explicou a delegada.

 

Queimada viva

Como é que ele pode alegar, perante a autoridade policial, uma versão de que houve uma relação sexual consentida se a vítima disse que não?

 

Um dos pontos que mais chocou os investigadores surgiu durante o interrogatório.

 

Segundo Jéssica Assis, Gabryel afirmou que ateou fogo ao corpo para destruir vestígios e impedir sua identificação.

 

No entanto, ele também declarou que Josivany ainda apresentava sinais de vida quando foi incendiada.

 

“Ele disse que, quando ateou fogo ao corpo da vítima, ela ainda estava viva, que se mexia, não conseguia balbuciar, mas estava naquele período que a gente chama de período perimortem”.

 

A informação levou a DHPP a solicitar novas análises periciais para esclarecer se a vítima já estava morta quando foi incendiada ou se sofreu queimaduras ainda com vida. A depender do resultado, outros crimes poderão ser atribuídos ao suspeito.

 

“Poderemos verificar se houve apenas o feminicídio, se foi um exaurimento do crime, se pode ter configurado tortura ou se foi apenas uma impressão dele”, afirmou a delegada.

 

Tentativa de ocultação

 

As investigações apontam que, após o assassinato, Gabryel trocou de roupa em uma casa abandonada para evitar identificação por câmeras de segurança. Ele também descartou as vestimentas e o chinelo que utilizava no momento do crime.

 

Em seguida, foi até um posto de combustível, onde conseguiu R$ 5 em gasolina com um cliente. Com o combustível, retornou à cena do crime e incendiou o corpo da vítima.

Reprodução

Prisão de Gabryel Junio de Almeida Dirceu

Gabryel Dirceu, de 20 anos, que foi preso acusado de matar dona de casa

 

Durante a prisão, o suspeito levou os policiais até o local onde havia escondido outras roupas que, segundo a delegada, apresentam manchas compatíveis com sangue e serão submetidas à perícia.

 

A investigação também revelou que o celular da vítima foi levado após o crime. Gabryel admitiu ter vendido o aparelho para comprar drogas.

 

Prisão

 

Após o crime, o suspeito deixou Várzea Grande e passou a se esconder em regiões de mata em Cuiabá.

 

Ele foi localizado no Bairro Dom Aquino enquanto circulava com uma bicicleta que, segundo o próprio suspeito, seria furtada.

 

A família colaborou com as investigações e forneceu informações que ajudaram os policiais a encontrá-lo.

 

Gabryel já possui histórico de violência e responde a um procedimento por tentativa de homicídio contra um idoso.

 

Para a delegada, o caso evidencia um cenário de extrema crueldade.

 

“É um caso revoltante, é um caso chocante e mostra o quanto a Delegacia de Homicídios é responsável e comprometida com a defesa do principal bem jurídico do nosso ordenamento, que é a vida. Independentemente da condição financeira, classe social, sexo ou orientação sexual da vítima, a gente não para enquanto não encontra esses agressores. Principalmente aqueles que tratam o corpo feminino, que tratam a mulher com tamanho desprezo, com tamanha crueldade”, finalizou.

 

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