O Banco de Brasília (BRB) necessita de um aporte de 8 bilhões e 800 milhões de reais para sanar possíveis perdas decorrentes de operações realizadas com o Banco Master. A confirmação foi feita nesta terça-feira (9) pelo presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O montante servirá como reserva estratégica para preservar a liquidez do banco, que administra volumes expressivos de depósitos judiciais e financiamentos imobiliários.
Origem do déficit
O rombo foi identificado após auditoria interna apontar problemas em cerca de 30 bilhões de reais investidos em títulos do Banco Master. Deste total, 8 bilhões e 800 milhões de reais apresentam risco elevado de perda, sendo que 2 bilhões e 600 milhões de reais não possuem lastro ou garantias reais para reembolso. Nelson de Souza classificou o BRB como a “maior vítima” do caso, dada a relevância da instituição para o sistema financeiro local e nacional.
Estratégia de recuperação
Para cobrir o déficit, o Governo do Distrito Federal (GDF) estruturou um plano que depende da aprovação de um projeto de lei na Câmara Legislativa local. O mecanismo combina um empréstimo de 6 bilhões e 600 milhões de reais junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) operação já homologada pelo Supremo Tribunal Federal e a securitização de créditos da dívida do GDF.
Na primeira fase da securitização, o banco já integralizou 1 bilhão e 170 milhões de reais. Com a expectativa de arrecadar outros 3 bilhões de reais através de operação com o BTG Pactual, o presidente do banco estima que faltarão apenas 2 bilhões e 200 milhões de reais para atingir o provisionamento total de 8 bilhões e 800 milhões de reais.
Estabilidade institucional
Durante a audiência, o presidente do BRB reforçou que o banco continua operando regularmente e que as medidas de saneamento são fundamentais para evitar uma intervenção do Banco Central. Ele destacou que a instituição responde hoje por cerca de 64% dos financiamentos imobiliários do Distrito Federal e possui uma carteira robusta de créditos. “O banco hoje é mais saudável do que era em novembro e nunca deixou de cumprir suas obrigações”, concluiu Souza.
