Acre desperdiça mais da metade da água tratada e tem 5º pior índice do Brasil, aponta estudo


Mais da metade da água tratada distribuída no Acre não chega às torneiras da população. É o que revela o “Estudo de Perdas de Água 2026”, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, que coloca o estado entre os piores do país no combate ao desperdício nos sistemas de abastecimento.

Segundo o levantamento, baseado em dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), o Acre perdeu 56,48% de toda a água distribuída na rede. O índice é muito superior à média nacional, de 39,53%, e coloca o estado na quinta pior posição do Brasil no ranking de perdas de água.

Apenas Alagoas (66,90%), Roraima (65,97%), Pará (57,33%) e Maranhão (56,68%) registraram resultados piores.

O estudo também aponta um problema ainda mais preocupante quando analisado o desperdício por ligação ativa de água. No Acre, cada ligação desperdiça, em média, 961,18 litros de água por dia, o segundo pior resultado do país. Apenas Roraima apresenta indicador mais elevado, com 1.145,21 litros por ligação diariamente.

Para efeito de comparação, a média nacional é de 349,09 litros por ligação por dia.

Estado está distante das metas nacionais

Os números mostram que o Acre ainda está longe dos parâmetros definidos pelo Ministério das Cidades para os próximos anos.

A Portaria nº 788/2024 estabelece que municípios beneficiados com recursos federais deverão reduzir as perdas na distribuição para no máximo 30% entre 2026 e 2032, chegando a 25% a partir de 2033.

Já no indicador de perdas por ligação, a meta é de até 263 litros por dia até 2032 e 216 litros diários a partir de 2033.

Atualmente, o Acre registra quase o dobro do limite previsto para perdas na distribuição e mais de três vezes o volume estabelecido para perdas por ligação.

Norte concentra os piores indicadores

O estudo destaca que as regiões Norte e Nordeste continuam concentrando os maiores desafios relacionados à eficiência dos sistemas de abastecimento de água.

Segundo os pesquisadores, essas regiões acumulam simultaneamente elevados índices de perdas e menores níveis de atendimento dos serviços de saneamento.

A análise estadual reforça esse cenário. Dos estados com perdas superiores a 55% da água distribuída, quatro estão na Região Norte: Roraima, Pará, Acre e Amazonas, além do Maranhão.

No indicador de perdas por ligação, a Região Norte apresenta os piores resultados do país.

Rio Branco também aparece entre os piores municípios

A situação observada no estado se repete na capital acreana.

Entre os 99 municípios mais populosos analisados pelo estudo, Rio Branco ocupa a 90ª posição no ranking de eficiência, figurando entre os dez piores desempenhos do país.

De acordo com o levantamento, 53,35% da água distribuída na capital acreana é perdida antes de chegar ao consumidor final.

A lista dos municípios com maiores índices de perdas inclui ainda cidades como Salvador, Santarém, Boa Vista, Belém, Maceió, Belo Horizonte e Parauapebas.

Vazamentos e fraudes estão entre as causas

O estudo explica que as perdas de água são divididas em duas categorias principais.

As chamadas perdas reais correspondem aos vazamentos em tubulações, rompimentos de redes, extravasamentos e falhas operacionais nos sistemas de abastecimento.

Já as perdas aparentes estão relacionadas a fraudes, ligações clandestinas, erros de medição e inconsistências cadastrais.

Embora os especialistas ressaltem que a eliminação total das perdas seja tecnicamente impossível, os níveis registrados em diversos estados brasileiros ainda são considerados muito elevados.

Brasil perde quase 40% da água produzida

Em âmbito nacional, o levantamento aponta que o Brasil desperdiçou 39,53% da água distribuída em 2024, percentual praticamente estável em relação aos anos anteriores.

Segundo os autores do estudo, os elevados índices de perdas aumentam os custos operacionais dos sistemas de abastecimento, reduzem a eficiência dos investimentos em saneamento e ampliam a pressão sobre os recursos hídricos.

O relatório conclui que estados que apresentam perdas elevadas tanto na distribuição quanto por ligação ativa, como é o caso do Acre, enfrentam desafios maiores para garantir eficiência no abastecimento e reduzir desperdícios nos próximos anos.



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