O teste do pezinho, realizado nos primeiros dias de vida do bebê, é considerado o principal meio de detecção precoce de doenças e condições genéticas graves que afetam o desenvolvimento infantil. A avaliação é feita a partir da coleta de pequenas gotículas de sangue, do calcanhar do recém-nascido, e possibilita o rastreio de até sete doenças.
No Dia Nacional do Teste do Pezinho, celebrado neste sábado, 6, A GAZETA conversou com a coordenadora administrativa do Nativida, Karen Mesquita, para entender o fluxo de atendimento oferecido pela rede estadual de saúde após a realização do exame. Referência no Acre, o Nativida é um serviço de triagem neonatal.
A coordenadora reforça que o trabalho da rede de saúde não é encerrado após a coleta do exame e que, quando as alterações surgem, há uma série de procedimentos a serem executados para garantir que o bebê receba o acompanhamento adequado de forma imediata.
Primeiro passo: a coleta
Em Rio Branco, o exame neonatal pode ser realizado nas maternidades Bárbara Heliodora e Santa Juliana ou nas unidades básicas de saúde (UBS) mais próximas das famílias.

“Os testes são realizados nesses locais, e até mesmo nos municípios mais afastados, e eles são coletados e enviados para o Nativida, que é a matriz. Aqui nós analisamos, fazemos todo o protocolo para saber o resultado e enviamos de volta para o local em que foi realizado, para que os pais possam ter acesso”, explica.
Caso alguma doença seja detectada, a família é encaminhada ao Nativida para um exame confirmatório. Entre as doenças, estão:
- Hiperplasia adrenal congênita
- Hipotireoidismo congênito (T4)
- Hipotireoidismo congênito (TSH)
- Fenilcetonúria (PKU)
- Fibrose Cística (IRT)
- Hemoglobinopatias (HB)
- Deficiência de biotinidase (DB)
- Toxoplasmose neonatal
“Nosso procedimento também consiste na busca ativa. Imaginamos que os pais irão retornar em algum momento, no prazo de retorno dado pelas unidades, mas como fazemos todo o controle, temos o contato dos pais, já fazemos o acesso para que esse exame confirmatório seja feito o quanto antes para que a gente possa dar sequência no atendimento da criança e daquela família”, acrescenta.
Por meio do Nativida, os pais são acompanhados por equipes multidisciplinares, com médicos pediatras, endocrinologistas, hematologistas, nutricionistas, psicólogos e assistência social.
Quando o diagnóstico é fibrose cística, o fluxo muda

Karen Mesquita destaca que, em caso de detecção da fibrose cística, o fluxo é diferente. “Todo esse fluxo que a gente pontua funciona para as outras patologias, desde os exames até o acolhimento, mas no caso da fibrose cística, nós encaminhamos para a Policlínica do Tucumã, que tem essa atuação junto à maternidade, e eles que ficam responsáveis por todo esse processo”, disse a coordenadora.
A fibrose cística é uma doença genética crônica, que não possui cura, e que afeta principalmente os pulmões, pâncreas e o sistema digestivo. Com a condição, o corpo produz secreções e mucos mais espessos que o normal, o que causa obstruções e infecções.
Além do teste do pezinho e do exame confirmatório, os bebês com suspeita da doença são submetidos ao Teste do Suor, que mede a concentração de sal na transpiração.
Segundo Mesquita, os pais também optam por fazer o acompanhamento da patologia fora do estado, e são assistidos pela saúde do Acre, que oferece o Tratamento Fora de Domicílio (TFD).
O TFD é um benefício do SUS que garante ajuda de custo para o paciente e o acompanhante com transporte, alimentação e hospedagem.
Assistência garantida na rede pública
A coordenadora do Nativida pontua a importância de realizar os procedimentos pela rede pública e afirma que o SUS possui alta capacidade de acolhimento para as famílias acreanas.
“É muito importante que, de preferência, as famílias façam o teste do pezinho na rede pública, porque assim a gente consegue fazer todo o acolhimento e o Nativida tem estrutura para isso”, afirma.
Acompanhamento até a juventude
Em caso de alterações nos exames ou diagnóstico raro, a criança é acompanhada de forma contínua.
“Esses bebês viram crianças e depois adolescentes, mas continuam sendo acompanhados por nós e pelos profissionais, e o tempo vai depender de cada individualidade e também do parecer de cada médico”.