“O Hexa vem”: moradores decoram 600 metros de rua e resgatam clima de Copa em Rio Branco


Bandeirolas, pinturas, trabalho coletivo e muito entusiasmo. No bairro Sobral, em Rio Branco, moradores da Travessa João Edimar, conhecida como Rua do Fuxico, decidiram resgatar uma tradição que por décadas fez parte da identidade das Copas do Mundo no Brasil: as ruas decoradas para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira.

A mobilização já reúne dezenas de moradores e deve transformar cerca de 600 metros da via em um grande cenário temático para o Mundial de 2026. O projeto marca o retorno de uma iniciativa que havia sido realizada pela comunidade nas Copas de 2014 e 2018, mas que não aconteceu em 2022.

Para o coordenador da ação, Guilherme Tavares, o principal objetivo é recuperar o espírito de união que sempre acompanhou o período das Copas.

“Nosso projeto começou em 2014. A gente não tinha tantos recursos para poder fazer, mas mesmo assim a galera da nossa rua é bem unida e toda vez mete a cara e consegue fazer essa festa bonita aqui. Fizemos em 2014, em 2018. Em 2022 a gente não conseguiu fazer esse enfeite para a Copa do Mundo e agora, em 2026, surgiu a conversa: faz muito tempo que a gente não faz, vamos pra cima”, relatou.

“O Hexa vem”: moradores decoram 600 metros de rua e resgatam clima de Copa em Rio Branco
Guilherme foi o principal idealizador do projeto Foto: Vitor Paiva

União da comunidade garantiu apoio para o projeto

A retomada da decoração ganhou força após o interesse de empresas em apoiar uma iniciativa que ajudasse a reviver o tradicional clima de Copa nas ruas da capital acreana.

Segundo Guilherme, o diferencial da Rua do Fuxico foi justamente o engajamento dos moradores.

“Foi quando apareceu o Iago pedindo para fazer uma reunião aqui na rua. Eles estavam atrás de uma rua para enfeitar e estavam selecionando. Eles chegaram aqui e encontraram mais de 50 pessoas esperando, todo mundo com camisa do Brasil e animado. Foi aí que a gente conseguiu receber o apoio da Agroboi, da Recol Veículos e da Ritmo de Festa”, afirmou.

Os trabalhos já acontecem há cerca de uma semana e envolvem moradores de diferentes idades, que ajudam na pintura, montagem das estruturas e organização dos materiais.

“A nossa rua é bastante grande, tem média de 500 a 600 metros. Com a ajuda de toda a vizinhança e também dos patrocinadores, conseguimos comprar tintas e todo o material necessário. É um trabalho bastante cansativo. A gente passa a noite toda trabalhando, vai dormir duas horas da manhã e no outro dia acorda para trabalhar, mas vai ser uma festa muito bonita e vai compensar todo esse esforço”, destacou.

Escolha da rua foi definida pela mobilização dos moradores

O diretor de marketing do Grupo Recol, Felipe Neo, contou que a ideia inicial era escolher uma rua da cidade por meio de uma seleção entre diferentes comunidades.

A decisão, porém, foi tomada rapidamente após a visita à Rua do Fuxico.

“A primeira ideia era fazer uma votação. Só que pensamos: imagina escolher uma rua e chegar lá e ter uma pessoa só querendo participar? Então decidimos visitar algumas ruas. Passamos por umas seis e normalmente éramos recebidos por uma ou duas pessoas. Quando chegamos aqui fomos recebidos pelo Guilherme e por mais de 80 pessoas. Naquele momento a gente falou: não tem mais o que escolher”, contou.

Segundo ele, o envolvimento dos moradores impressionou toda a equipe.

“Quando chegamos para conhecer a rua, já saímos daqui com a rua escolhida. Parecia até que eles tinham preparado um espetáculo para convencer a gente. E conseguiram”, brincou.

Tradição passa de geração em geração

Além da mobilização atual, a história construída pela comunidade em outras Copas do Mundo também foi decisiva para a escolha.

“Eles trouxeram para a gente um histórico do que já fizeram em outras Copas. É uma tradição que começou nos pais, passou para os filhos e agora está passando para os netos. Você vê crianças, adolescentes e jovens participando. Então isso vai muito além de uma ativação comercial. A gente quer passar essa energia de geração em geração”, afirmou Neo.

Para os organizadores, o projeto busca preservar uma manifestação cultural que já foi comum em diversas cidades brasileiras.

“Isso aqui não é pelo investimento e nem pelo dinheiro. É muito mais sobre resgatar uma coisa que era muito tradicional no Brasil e que parou de acontecer. A gente quer trazer isso de volta”, ressaltou.

Telões e festa estão previstos para a estreia do Brasil

A inauguração oficial da ornamentação está prevista para ocorrer no primeiro jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.

A programação contará com telões para transmissão da partida, atrações musicais e atividades voltadas aos moradores da comunidade.

“No dia da estreia vamos ter telões na entrada e no meio da rua para transmitir o jogo em tempo real. Também vai ter uma banda de pagode. Acho que não existe nada que combine mais com Brasil, Copa do Mundo e gente na rua do que pagode”, disse Felipe Neo.

A intenção é manter a estrutura montada durante toda a competição, transformando a Rua do Fuxico em um ponto de encontro para acompanhar os jogos da Seleção.

Mesmo após anos sem o mesmo clima das Copas passadas, a confiança dos moradores segue intacta.

“O povo brasileiro não pode deixar de acreditar na nossa seleção. Apesar de ela ter dado uma raivazinha para a gente nos últimos tempos, não podemos deixar de acreditar. Vamos torcer porque o Hexa vem em 2026 para o Brasil”, afirmou Guilherme.





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