Secretário de Obras reforça que ponte já estava isolada antes do desabamento


Após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no início da noite desta sexta-feira (5), o secretário de Estado de Obras Públicas, Ítalo Lopes, afirmou que a estrutura já havia sido interditada preventivamente após a identificação de problemas que comprometiam sua segurança.

Segundo o gestor, equipes técnicas do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) e da empresa responsável pela construção da ponte identificaram sinais de risco e determinaram o isolamento da área antes do colapso da estrutura.

“É importante deixar claro que essa não é uma obra executada pela Secretaria de Obras. O que diagnosticamos, em conjunto com a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, o Deracre e a empresa responsável, foi que, assim que o problema foi identificado, a área foi isolada. Havia um perímetro de segurança estabelecido, mas, infelizmente, algumas pessoas ultrapassaram esse bloqueio. Durante um desses momentos, a ponte acabou colapsando”, afirmou.

De acordo com o secretário, imagens já analisadas pelas autoridades indicam a presença de pessoas sobre a estrutura no momento do desabamento.“Não temos como afirmar quantas pessoas estavam sobre a ponte naquele instante, mas existem registros que mostram pessoas na estrutura quando ocorreu o colapso”, declarou.

Movimentação do solo pode ter contribuído para o problema

Engenheiro civil e especialista em estruturas de concreto, Ítalo Lopes destacou que ainda é cedo para apontar as causas do acidente, mas observou que há um processo de movimentação de solo em diversas regiões do Acre após o período de cheia dos rios.

“Precisamos ter cautela com conclusões precipitadas. O que se percebe é uma movimentação de terra no entorno da ponte. Esse fenômeno não ocorre apenas em Sena Madureira. Há relatos semelhantes em outras regiões do estado, como Brasileia e Rio Branco. Estamos vivendo um período em que os rios estão baixando rapidamente após as cheias, o que provoca alterações mais intensas no solo”, explicou.

O secretário também relacionou o cenário às mudanças climáticas e às características geológicas da região amazônica. “Vivemos um momento de mudanças climáticas mais intensas. Além disso, nossos rios são considerados jovens, o que significa que possuem maior dinâmica e movimentação em seus leitos e margens. Tudo isso acaba exercendo pressão adicional sobre as estruturas”, acrescentou.

Empresa deverá apresentar esclarecimentos

Apesar das possíveis influências ambientais, Ítalo Lopes ressaltou que a empresa responsável pela obra precisará apresentar explicações técnicas sobre o projeto e as condições da estrutura. “A empresa foi contratada, desenvolveu o projeto e agora terá de explicar publicamente o que aconteceu, quais estudos embasaram a obra e quais garantias serão oferecidas ao Estado para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer”, afirmou.

Governo defende força-tarefa para avaliar pontes no Acre

O secretário também defendeu a realização de uma força-tarefa envolvendo órgãos estaduais e federais para avaliar as condições de outras estruturas de concreto existentes no Acre.“Este é o momento de reunir Deracre, DNIT e demais órgãos competentes para realizar um diagnóstico das estruturas. Na engenharia civil, costumamos dizer que as obras dão sinais antes de apresentar problemas mais graves. Existem manifestações patológicas que funcionam como sintomas e indicam a necessidade de intervenção preventiva”, explicou.

Segundo ele, profissionais especializados, incluindo geólogos, deverão participar das análises para identificar possíveis riscos e definir medidas de segurança. “Os geólogos fazem parte desse conjunto de profissionais fundamentais para esse tipo de avaliação. O Acre possui especialistas capacitados que podem contribuir com os diagnósticos e ajudar a prevenir novos problemas”, finalizou.

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