Governo quer obrigar empresa a reconstruir ponte de Sena sem custo público

A obra teve o recebimento definitivo em janeiro de 2024 | Foto Gleison Junior/Orna Audiovisual

O governo do Acre divulgou neste sábado (6) uma nota oficial para esclarecer as responsabilidades jurídicas relacionadas ao desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, ocorrido na noite de sexta-feira (5), em Sena Madureira. Segundo o Estado, a empresa responsável pela obra poderá ser acionada judicialmente para reconstruir a estrutura e reparar os danos causados pelo acidente.

De acordo com o governo, a ponte foi construída por meio do Contrato Deracre nº 011/2022, firmado na modalidade integrada. Nesse modelo, a empresa contratada, a Construtora Cidade, ficou encarregada de elaborar os projetos básico e executivo, além de executar toda a obra.

A nota destaca que o Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) não participou da elaboração técnica do projeto nem das decisões de engenharia que definiram a construção da ponte. Por isso, segundo o governo, a responsabilidade técnica pela concepção e execução da estrutura é exclusivamente da empresa.

A obra teve o recebimento definitivo em janeiro de 2024. No entanto, o governo lembra que a legislação prevê um prazo de cinco anos de garantia para obras desse tipo, período em que a construtora continua responsável pela solidez e segurança da estrutura.

As primeiras avaliações apontam que as mudanças no nível do Rio Iaco, marcadas por cheias intensas e períodos de seca, podem ter contribuído para o desabamento. O fenômeno conhecido como “terras caídas”, comum em rios amazônicos, é citado como um dos fatores que podem ter provocado o colapso.

Mesmo assim, o Estado ressalta que a empresa possui experiência na construção de pontes na Amazônia e, por isso, deveria ter considerado esse tipo de situação durante o planejamento do projeto.

A Procuradoria-Geral do Estado informou que está preparando medidas judiciais para obrigar a construtora a reconstruir a ponte ou apresentar uma alternativa para a travessia da população, sem custos para os cofres públicos. O governo também pretende exigir assistência às pessoas feridas no acidente.

Outra medida em análise é o bloqueio cautelar de bens da empresa no valor do contrato, podendo haver substituição por seguro-garantia para não comprometer a capacidade da construtora de executar as obras necessárias.

Por fim, o governo afirmou que acompanha o caso de perto, manifestou solidariedade às famílias afetadas e garantiu que adotará todas as providências para apurar responsabilidades e restabelecer a ligação com o Segundo Distrito de Sena Madureira o mais rápido possível.

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