“não quero clima de já ganhou”


O ex-senador e pré-candidato ao Senado pelo PT, Jorge Viana, afirmou que recebeu com cautela os resultados das pesquisas eleitorais que o colocam entre os primeiros colocados na corrida por uma vaga no Senado Federal. Durante entrevista concedida nesta sexta-feira, 06, em Rio Branco, Jorge disse que os números não trazem tranquilidade, mas sim responsabilidade para a construção da campanha.

Questionado sobre o levantamento do instituto Paraná Pesquisas, que o coloca em posição de destaque na disputa, o petista afirmou que sua reação é diferente da maioria dos políticos. “Eu vou usar uma palavra que ninguém usa quando recebe pesquisa estando na melhor posição. Eu recebo com preocupação”, pontuou.

Segundo ele, a campanha ainda está em fase inicial e qualquer sensação de vitória antecipada pode ser prejudicial. “Nós estamos ainda organizando nossa campanha e tudo que eu não quero é clima de já ganhou. O já ganhou eu só quero para a Seleção do Brasil na Copa do Mundo. O resto é a gente ter os pés bem no chão”, ressaltou.

Jorge destacou que seu grupo político não possui a mesma estrutura institucional dos adversários e que o caminho para uma eventual vitória passa pela mobilização popular. “Nós não temos mandato de deputado federal, não temos um senador, não temos um deputado estadual, exceção do Edvaldo. E eu acho que só tem um jeito de a gente ganhar: botando o Acre como causa, fazendo uma campanha de baixo para cima”, ponderou.

Ao analisar o cenário político acreano, o ex-governador voltou a afirmar que os principais nomes da disputa pelo governo pertencem ao mesmo campo político. “Eles estão divididos. Eu não consigo ver a diferença entre a candidatura do Bocalom, do Alan Rick e da senhora Mailza, governadora, porque eles são do mesmo lado. Um mais radical, outro menos radical, mas são do mesmo campo”, pontuou.

Em contraponto, Jorge afirmou que pretende apresentar uma proposta centrada nos interesses do estado. “O nosso lado se diferencia. A gente tem que construir um projeto que possa responder uma pergunta simples: se eu, Jorge Viana, for para o Senado, vou fazer o quê? Não vou fazer guerra ideológica”, salientou.

O pré-candidato defendeu uma atuação voltada para temas práticos e criticou a polarização política nacional. “Eu vou para lá para defender os interesses do Acre, ajudar o Brasil. Ninguém aguenta mais isso. O cara ganha uma eleição e começa uma guerra de costumes, uma pauta de costumes, enquanto o interesse do Acre fica de fora e o interesse do Brasil fica de fora”, ressaltou.

Durante a entrevista, Jorge reforçou que sua principal bandeira será a defesa do estado. “O meu interesse é o seguinte: é o Acre. Por isso que eu uso o slogan ‘Onde eu estou tem Acre’. Tudo o que eu acumulei de experiência na vida eu quero colocar a serviço do Acre”, salientou.

Apesar dos números favoráveis nas pesquisas, o petista afirmou que a campanha precisará ser conduzida com cautela. “A gente não pode errar. Não pode ter nem salto, muito menos salto alto nessa campanha”, observou.

Jorge também demonstrou entusiasmo com a receptividade que tem encontrado durante suas viagens pelo interior do estado.”Eu estou muito animado e feliz de ver a recepção que a gente tem onde anda. Quanto mais longe eu vou, mais bacana é. E aqui em Rio Branco nem se fala. Aqui é a minha cidade, onde eu nasci”, destacou.

Para ele, o cenário ainda está em aberto e a eleição será definida ao longo dos próximos meses. “As coisas estão caminhando bem, mas ainda temos muito, muito chão pela frente”, reforçou.

Ao falar sobre a disputa pelo governo do Estado, Jorge disse acreditar na possibilidade de um segundo turno e afirmou que seu grupo pretende ter protagonismo no processo eleitoral. “Se der certo, a gente sonha com o Thor no segundo turno para fazer uma disputa. Mas nós seremos o fiel da balança no segundo turno, disputando esse segundo turno ou tendo um papel de muito destaque nele”, ponderou.

Por fim, o ex-senador afirmou que pretende oferecer uma alternativa ao atual cenário político acreano. “Espero que isso seja bom para o Acre, porque todos eles, como estavam aí na prefeitura, no governo e no governo federal, não deu certo. Nós queremos ver se podemos dar a nossa contribuição”, finalizou.



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