Policiais militares e civis integravam esquema de desvio e tráfico de drogas no MA


A Polícia Civil do Maranhão detalhou, em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (3), o organograma e o modus operandi da organização criminosa desarticulada pela Operação Astreia. De acordo com as investigações, o grupo operava um esquema de tráfico de entorpecentes na Região Metropolitana de São Luís e era estruturado em três núcleos distintos: um composto por policiais militares da ativa, outro liderado por um policial civil aposentado e o terceiro formado por traficantes locais.

O mecanismo do crime baseava-se no desvio de carregamentos de drogas. Os agentes de segurança pública investigados utilizavam suas funções para realizar apreensões de entorpecentes pertencentes a facções rivais.

No entanto, em vez de formalizar o registro legal das apreensões nas delegacias, os policiais repassavam o material ilícito diretamente para o núcleo de traficantes, que revendia os produtos no mercado ilegal e distribuía os lucros apurados entre os integrantes do esquema.

Oficiais de alta patente entre os alvos

A operação mira um total de 12 pessoas suspeitas de integrar a rede criminosa. Até o momento, as forças de segurança efetuaram a prisão de seis policiais militares, com destaque para o tenente-coronel Renan Leite Nascimento e o tenente Alex Brandon Pinho Moreno, ex-comandante do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur).

Também foram detidos o investigador aposentado da Polícia Civil, Silvio Falcão Pereira, e Pedro Lucas Cruz Campos, apontado pelas autoridades como um dos principais articuladores do braço comercial de venda das drogas.

Duas pessoas formalmente investigadas não foram localizadas durante as incursões e passam a ser consideradas foragidas da Justiça.

Logística da operação e crimes imputados

A ofensiva policial mobilizou um contingente de 65 agentes das polícias Civil e Militar. Além dos mandados de prisão temporária, as equipes cumpriram ordens judiciais de busca e apreensão, suspensão do direito de porte de armas de fogo dos envolvidos e o bloqueio de ativos financeiros e bens móveis avaliados em R$ 250 mil.

Durante os cumprimentos dos mandados em diferentes endereços da capital, foram apreendidos documentos, aparelhos celulares, porções de entorpecentes e outros insumos.

Todo o material coletado será submetido a perícia técnica e análise de inteligência, com o objetivo de rastrear o fluxo financeiro do grupo e identificar possíveis novas ramificações.

Os suspeitos permanecem à disposição do Poder Judiciário e, dependendo do grau de participação individual atestado no inquérito, poderão responder formalmente pelos crimes de integrar organização criminosa, tráfico de drogas, prevaricação e corrupção passiva.



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