Manaus – Sem arrumar a própria casa com mínima verba ambiental, em uma cidade com lixo a céu aberto, ausência de política de meio ambiente, como obras para evitar vias e casas alagadas, a gestão Renato Júnior – que herdou a herança de descaso de David Almeida – agora apresenta projeto de lei que cria até comissão para maquiar as ações ambientais, enquanto é penalizada por corte de árvores em parque e descaso na mudança da frota para ônibus elétricos.

(Foto: Clovis Miranda)
Na prática, as ações municipais estão só no papel, a exemplo da verbas para o setor. O orçamento representa 0,29% das despesas previstas para a administração municipal que totaliza R$ 12 bilhões.


Neste ano, do total de R$ 34 milhões da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) R$ 22,9 milhões são destinados para pagar os servidores e apenas R$ 1.070 milhão são destinados a gestão e controle ambiental.

A Semmas é uma casa de ferreiro onde o espeto é de pau. O órgão de proteção ao meio ambiente cortou árvores no Parque dos Bilhares para construir a nova sede, em dos poucos locais de verde no centro a cidade. O corte da área verde nativa levou o Tribunal de Contas do Estado (TCE) a suspender as obras, em outubro do ano passado.
A decisão se baseou na identificação de “episódio de ilicitude e má-gestão”. O TCE exigiu ainda um cronograma para recomposição ambiental da área desmatada, incluindo replantio da cobertura vegetal no parque.
O Bilhares é uma área verde de proteção permanente criado na gestão Serafim Corrêa, em 2006, que abriga espécimes nativos da flora brasileira, como ipê e mogno, além de árvores frutíferas como mangueira, açaí e pitanga.
A intervenção na área gera impacto direto sobre a mata ciliar às margens do igarapé do Mindu e contribui para que um dos principais cursos d’água da cidade inunde vias e casas nos temporais.
Também as margens do Mindu, no Novo Aleixo, zona norte a gestão Davi/Renato construiu com verbas do Estado o parque Gigantes da Floresta, em área sem vegetação. Todas as esculturas dos animais são em concreto, até a árvore principal é artificial e o local também alaga em temporais por falta de drenagem profunda no leito.