O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Acre (MPAC), em parceria com a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil, deflagrou a Operação “Convergência Nacional”, contra integrantes da organização criminosa Bonde dos Treze (B13), nesta terça-feira (2).
Em coletiva de imprensa, o coordenador do Gaeco, promotor Antônio Alceste, explicou que uma das pessoas que foram presas é um dos fundadores da facção criminosa, e outros já estavam presos pelo mesmo crime.
“Isso demonstra a persistência delas no seio das organizações criminosas e esse braço dentro do presídio. Mesmo dentro do presídio, eles continuavam mandando ordens para fora do presídio, para que essas pessoas de fora continuassem a agir de acordo com a organização criminosa. As ordens tanto para execução, extorsão de moradores, são crimes praticados pela organização, crimes de tráfico de drogas. Então, tudo isso passa pela gestão desse conselho, que é em que essa operação conseguiu alcançar. Um dos conselheiros, inclusive, que foi alvo desta operação, ele é um dos fundadores dessa organização criminosa”, explicou.
O delegado Alcino Ferreira Júnior, direto do Departamento de Polícia da Capital e do Interior (DPCI), afirmou a investigação foi aprofundada.
“A operação não combate só o crime organizado, ela combate o homicídio, ela combate o tráfico de drogas, combate a tortura qualificada pela morte ou pela operação corporal grave, que é o dito crime de disciplina, então todos esses reflexos, eles são alcançados”, destacou.
O coordenador adjunto do Gaeco, promotor Júlio Cesar Medeiros, destacou que os alvos da operação eram pessoas que tinham funções dentro da organização.
“Cada um desses integrantes que foram identificados possuem uma função bem delineada, desde ali do recebimento e cobrança de caixinhas, que é a mensalidade da organização criminosa, já assinalada, também tem a função à extorsão de comerciantes, o próprio apoio logístico ao tráfico de drogas, e outro ponto também, que é justamente a função de liderança. Um desses integrantes ocupa então a função de conselheiro da organização criminosa, que seria, em tese, uma das funções mais altas da liderança”, disse.
“Não foram presas só pessoas na rua, mas também, inclusive, dentro do presídio. Isso acaba mostrando que, na verdade, a nossa investigação estava correta, já fundamentada, inclusive, com pessoas que posteriormente foram presas, e o cumprimento de uma nova ordem de prisão denota justamente essa proatividade, impedir que pessoas de fato perigosas sejam eventualmente colocadas em liberdade e voltem a reincidir na prática delituosa”, disse.
O delegado titular da Draco, Gustavo Neves, destacou que foram empenhados aproximadamente 100 policiais civis, também com a cooperação de policiais civis de outros estados, do Ceará e de Santa Catarina.
“Também foram empenhados policiais penais, que também nos ajudaram a cumprir o objetivo de hoje. As policias civis de outros estados também ajudam a gente, porque o criminoso, eles se falam, eles se estudam, ele vai para outro estado, às vezes continua a praticar crimes no estado de origem. E existe também esse intercâmbio entre as policias, e hoje em dia esse intercâmbio está muito facilitado”, disse.
Ao todo, 19 pessoas foram presas. “Tivemos resultados, tivemos sucesso de cumprir os mandados em dois estados da Federação. Em total foram 19 pessoas presas, uma em Epitaciolandia, e dezoito em Rio Branco. Nos outros estados tivemos cumprimento de busca e apreensão”, destacou.
A operação teve como objetivo cumprir 42 mandados, sendo 21 mandados de prisão preventiva, e 21 mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Estadual do Juiz das Garantias da Comarca de Rio Branco contra investigados ligados à facção criminosa que atua no Estado Acre.
A ação visa desarticular núcleos operacionais da facção criminosa que atuam no Acre, com ênfase nos municípios de Rio Branco, Brasiléia e Epitaciolândia.
Na oportunidade, houve a apreensão de substância semelhante a cocaína, além de 18 prisões preventivas, e duas prisões em flagrante.
De acordo com o coordenador do Gaeco, houve a apreensão de aproximadamente R$ 4 mil. “Há, pela nova lei, o confisco alargado de bens. As pessoas que estiverem inseridas na prática das organizações criminosas, elas perdem os bens, inclusive anteriores à data da prática do fato delituoso, cinco anos antes, e hoje em dia, com esse confisco alargado, é possível, inclusive, adentrar no patrimônio lícito de quem comete esse tipo de crime, que deve provar, para reaver os bens, a licitude e a renda. Então, se esses bens forem incompatíveis com a renda dessas pessoas, esses bens serão confiscados pelo Estado”, afirmou.
A Operação é fruto de investigações conduzidas pelo Gaeco, iniciadas a partir da análise de dados periciais extraídos de aparelhos celulares apreendidos com integrantes de facção criminosa, dentre eles, um conselheiro da organização criminosa. As informações obtidas permitiram identificar a atuação coordenada de membros, incluindo responsáveis por repasses financeiros e pela distribuição de drogas.
A operação Convergência Nacional integra ação do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), do Ministério Público brasileiro, que tem como finalidade combater facções criminosas em todo o país.





