Richard Rasmussen expõe lixão a céu aberto no Amazonas em documentário


Manaus – O problema ambiental mais grave em Iranduba (a 28 quilômetros de Manaus) ganhou destaque nacional no canal do YouTube do biólogo, jornalista e apresentador Richard Rasmussen. No vídeo “Existe um lixão no meio da Amazônia e você nem faz ideia!”, do programa “Agro: A Verdade”, publicado na semana passada na plataforma, Richard percorre comunidades da cidade para mostrar os impactos provocados por mais de quatro décadas de descarte irregular de resíduos sólidos.

(Foto: Divulgação)

O lixão a céu aberto de Iranduba funciona no Ramal do Creuza, no km 6 da rodovia AM-070, em uma área sensível da Amazônia. O depósito irregular está localizado próximo aos rios Solimões e Negro, comunidades rurais, balneários, pontos turísticos e áreas de produção agrícola do município. O local descumpre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), que proíbe esse tipo de destinação inadequada de resíduos no país.

Ao longo do documentário, moradores denunciam os riscos à saúde provocados pela fumaça constante da queima do lixo, o mau cheiro, a contaminação do solo e da água, além de outras dificuldades enfrentadas pelas famílias que vivem nas proximidades do ramal.

“Aqui, a gente tem uma empresa [a serviço da Prefeitura de Iranduba] que recolhe o lixo uma vez por semana nas comunidades. E todo esse lixo vai até esse lixão a céu aberto, onde tem uma associação de catadores [de resíduos sólidos] que reciclam aquilo que conseguem. Então, a demanda é tão grande que eles não conseguem absorver a quantidade de lixo”, afirmou o presidente da Associação Rural da Comunidade São Francisco, André Peres.

O biólogo e apresentador também visitou o depósito irregular e áreas impactadas. Agricultores da região aparecem entre os afetados e relatam prejuízos provocados pela fumaça tóxica e pela contaminação das plantações, especialmente de hortaliças e pimentas.

“Esse lixão a céu aberto aí, com certeza [é um problema]. Tanto na época do verão, a fumaça, que eu não sei como é que acontece, que entra em combustão [os resíduos]. Entra em combustão, né? E é complicado aqui pra gente. Os moradores ficam: ‘rapaz, não estou mais aguentando’. E aquela fumaça, aquele cheiro de plástico queimado, aquele cheiro de química, assim, né? É complicado. Nossas crianças, pra gente mesmo, todo mundo adoece aqui”, relatou o produtor rural Jamerson.

O canal no YouTube de Richard Rasmussen também destaca os impactos para o turismo em Iranduba. O lixão está a cerca de 500 metros do Igarapé do Papagaio, um dos balneários mais frequentados do município, e ainda fica próximo de áreas históricas e de turismo cultural e indígena.

“Tem muitas pessoas que vêm de Manaus pra cá e saem daqui [de Iranduba] com coceira no corpo porque tem um igarapé na frente do lixão, que é o Igarapé do Papagaio, onde também o chorume [do lixão] vai para lá”, afirmou o líder comunitário do Novo Paraíso e presidente da Associação dos Moradores e Agricultores Rurais da Comunidade São José II, Benedito Leite.

Em 2023, o Brasil gerou cerca de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Desse total, aproximadamente 41,5% tiveram destinação inadequada, sendo descartados em lixões ou aterros irregulares.

Atualmente, o país possui cerca de 2.600 lixões a céu aberto e apenas aproximadamente 600 aterros sanitários regularizados. A Região Norte lidera os índices de descarte inadequado, com cerca de 60% dos resíduos sem tratamento correto.

O documentário está disponível pelo link.





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