Pesquisas eleitorais e fatos políticos convergem


Saiu mais uma pesquisa eleitoral do instituto Delta, que vem sistematicamente acompanhando processos eleitorais há décadas. Tirando alguns tolos que exigem das pesquisas um cunho adivinhatório de quem vai ganhar, é sabido que se trata de uma mostra da realidade do dia em que foi realizada. É claro que seguidas pesquisas mostram tendências, estas sim, bastante relevantes no sentido de apontar eventuais favoritos.

Não vou desta vez esmiuçar os dados que, aliás, praticamente se repetem há meses, com Alan Rick à frente com números em volta de 40% e os outros dois em condição de empate técnico por volta dos 20%. Uma tendência praticamente consolidada. Embora esconda o Lula, na tentativa de aproximar-se do centro, o candidato esquerdista não conta, faz figuração. A mesma coisa, diga-se da disputa para o Senado. Sem Gladson Cameli na chapa, Marcio Bittar, Jorge Viana e Mara Rocha vem se firmando como os efetivos concorrentes, enquanto os outros se agarram a esperanças. Se a Jéssica vier, chegará bem atrasada, o trem já partiu.

No que tange à disputa pelo governo, outro bom sinal é dado pelo comportamento dos políticos e partidos. Mesmo sabendo que seria o último mandato de Mailza e que o vice-governador poderia assumir e tentar uma reeleição (caso da Mailza hoje), pergunte-se: Quem, com relevância eleitoral, está na fila para ser vice da Mailza Assis? O próprio MDB, velho de guerra e conquistas, retirou a Jéssica Sales, que virou o nariz de banda e diz que só entra se for para o senado ou disputará uma vaga para a câmara federal. Prato feito e desfeito por um só elemento – o cheiro de derrota.

E o Tião Bocalom? Este sassarica na elite entre empresários urbanos e rurais, mas, até agora, necas. Não se sabe de nenhum vivente politicamente importante realmente disposto a entrar na canoa do Boca. O slogan que ele chama de projeto de desenvolvimento, de velho perdeu o fôlego e não convence mais ninguém. Formar uma chapa para proporcional então, é um sacrifício danado, sem contar que se escorar no bolsonarismo morando no ninho dos tucanos vai ser mirabolante.

Enquanto isso, o senador Alan Rick avalia pretendentes à vice que surgem até de onde não se esperava (do ninho governista). Há tempo para que as águas corram e, na calma, se possa encontrar em um nome os principais requisitos de um bom ou uma boa vice-governador(a) – moral ilibada, temperança, discrição, lealdade.

Em vista disso, é bastante razoável afirmar que os números revelados pelas pesquisas têm coerência com os fatos políticos observados no nosso dia a dia. Talvez até alimentem uns aos outros, o que não seria novidade, afinal, as águas correm para o mar e a perspectiva de poder é implacável.

E para o senado? Como o senado tem suplências, observa-se algo parecido. Também não vejo muita correria para ser suplente de algum além dos três citados. Lembremos que o suplente tanto pode ocupar a vaga por nomeação do titular em algum cargo do executivo (caso do Sibá Machado), como pode, daqui a quatro anos ocupar em definitivo a vaga se o titular concorrer e ganhar para governador, (caso do Anibal Diniz). Além, é claro, da possibilidade de ocupar, ele mesmo, um posto relevante. Não é pouco para quem entra no jogo de carona. 

Já as suplências de Marcio Bittar, Jorge Viana e Mara Rocha são vistas com muita avidez por vários políticos, empresários etc., que sem muito jeito para a disputa direta, se posicionam no banco de reservas, o que é legítimo. Mais uma vez, os fatos políticos confirmam o que dizem os números das pesquisas.

É claro que esta análise, superficial, reconheço, não garante absolutamente nada. Apenas interpreta à luz dos dados e fatos, uma situação de coerência datada de hoje. Amanhã vai ser outro dia, diz a canção e acreditam todos os postulantes, inclusive aqueles que somente depois do fato consumado verão que fizeram sem notar a tolice monumental que todos viam. É da natureza humana errar de vez em quando, mesmo sendo avisado.

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP



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